domingo, 12 de maio de 2013

Se teu beijo tivesse envenenado Eu beijava sabendo que morria

Nem que fosse somente a última vez
Que em vida eu pudesse lhe beijar
Beijaria você sem perguntar
Dava ouvido pra minha insensatez
Decisão quando certa é sem talvez
Se chegou o momento não tardia
Acabava de vez essa agonia
Morreria beijando apaixonado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Essa louca paixão me enfeitiçou
Já não sei qual o mês que estou vivendo
O meu dia não passa, estou sofrendo
Como quem se perdeu e não se achou
O meu peito parece que inchou
A pressão vive com arritmia
Tenho dor de cabeça todo dia
Desconfio que estou enfeitiçado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Comecei ter insônia pra dormir
Passo horas rolando pela cama
Como é ruim acordar sem minha dama
Num colchão que comprei pra dividir
Eu queria você só pra sentir
O seu cheiro de amor que me alivia
Essa dor que carrego de agonia
Nesse peito que vive aperreado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Vem aqui, me ajuda não me deixa
Vem trazer seu amor como remédio
Não suporto o martírio, nem o tédio
É única razão da minha queixa
Já não como mais frutas, nem ameixa
Que era a fruta de todas que eu comia
Preferida porque nela eu sentia
O seu gosto de mel adocicado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Tenho tanta esperança de te ver
Ter você novamente em minha vida
Eu me lembro da nossa despedida
Nos amando até o amanhecer
Começamos de noite até nascer
O raiar desse sol que irradia
Quando os raios penetram, arrepia
Nosso corpo que fica arrepiado
Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria

Autor dos versos: Rubens do Valle
Autor do mote: Rubens do Valle e Pedro Torres Filho

Mesmo que contivesse algum veneno
Nestes teus róseos lábios de aventura
Eu provava da dose bem mais pura
Sem tomar um qualquer contraveneno.
Que na força do teu "beijo sereno"
Tens o doce da flor da ambrosia
Todo mel cujo gosto anestesia
E nos mata sem ser ressucitado
'Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria.'


Quero a dose maior que for possível
Não importa o vitríolo dos teus lábios
Busco a cura por todos alfarrábios
Mas, eu provo o teu beijo irresistível.
Se osculares de um jeito bem incrível
Ponha em prática o amor da teoria
Que  veneno de amor causa agonia
Mas, só mata se for bem aplicado
"Se teu beijo tivesse envenenado
Eu beijava sabendo que morria"

Pedro Torres
Mote: Pedro Torres & Rubens do Valle

5 comentários:

  1. "Se teu beijo tivesse envenenado
    Eu beijava sabendo que morria."
    Todo texto seu tem uma marcada e marcante.


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    Respostas
    1. Obrigado Aline!

      É um estilo de poesia concreta muito comum em Portugal e no nordeste do Brasil. Os últimos versos são motes. Você faz poesia concreta, metrificada? Tens um blog?

      Valeu!

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    2. Oi Pedro,
      eu tenho um blog sim. Mas confesso que não sei classificar minha poesia. eu sinto e ponho no papel, do jeito que vem.

      Adorei a idéia do mote! Sou fã dessas frases curtas, mas cheias de significado.

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    3. Oi Aline!

      Bom te ver de novo por aqui. :)

      Eu conheço a poesia concreta desde menino, mas me dedicava a prosa, ou poesia livre, desde sempre.

      Decidi a pouco mais de um ano retomar a poesia concreta parnasiana e reaprender a metrificar e os estilos, décimas, redondilhas e sextilhas, septilhas, quadras em 7 ou 10 sílabas poéticas. Ainda faço os decassílabos no estilo do martelo, que formam a maior parte das minhas estrofes em poesia concreta.

      O ritmo, cadência, ou métrica é como uma herança de família pra mim. Meus pai e mãe são poetas, e boa parte da família também. rs

      Essa estrambólica dos versos finais que é o mote, ou tema, é também uma arte da poesia concreta parnasiana. São utilizadas frases cujo significado tem um valor real, ou de apelo popular. São verdades populares, como em "A voz do povo é a voz de Deus", "Cada macaco no seu galho." Transformando esta forma de conhecimento em algo com um significado que se tenta aplicar a um caso poético.

      É por aí. Deixa aqui o link do teu blog pra eu conhecer tua poesia. Meus versos em prosa de 2009 até meados de 2011 estão aqui no blog.

      Ainda faço a prosa, mas, com menor intensidade.

      Beijo, e valeu a visita.




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    4. Oi Pedro !

      Nossa, você é um profissional da poesia!

      Fico até intimidada em te apresentar minhas tentativas poéticas. A poesia está em seu sangue que privilégio hein :) Estou conversando com um verdadeiro poeta !
      Não conhecia essa questão do mote, mas é algo que me chamou muita atenção, pois gosto dessas frases de efeito.

      este é o link para o meu blog: eternooutono.blogspot.com

      Sou uma mera aspirante.

      Beijos :)


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