quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fim...

Esperava voltar a primavera
Pra partir vendo as flores do caminho
Esperei sacudir da alma o espinho
Na jornada depois da vã espera

Fiz razão dos meus sonhos, da quimera
E o espelho não mais me refletia
Toda luz que no céu de mim jazia
Expandida por outra atmosfera

Solidão espantou-me essa pantera
Fez-me rasgos na pele no alvoroço
Do meu peito escavado fez-me poço
Donde encerro minh'alma ao fim da era

Fui menino criança que sonhava
Acrescido do tempo que me basta
Este ferro, se ardente, me vergasta
Quando em minas de mim antes dourava

Encarnecida minh'alma fez plena
Pra colher do jardim da esperança
Falecido meu sonho de criança
Fez alvo sutil da dura pena.

Recorri ao silêncio que bastasse
Entretanto meu grito inda silente
Fez de mim o reles penitente
Da espera do ferro que matasse

Fez-se inútil as vãs filosofias
Por degredo das frias poesias
Que restassem enquanto me avias
Algum nada que desse algum motivo
Nada doem de corpos indolentes
Nada rama na ausência de sementes
Nenhuma alma por tanto descontentes
Brotaria na ausência de um ser vivo.

Pedro Torres
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