domingo, 10 de março de 2013

Pelada

Sabe quando às vezes lá no sertão tem aqueles jogos de futebol aos domingos, onde a poeira se mistura ao calor do sol quente, e uma sombra pouca não faz muita diferença? Passa um vendedor de picolés e a gente compra um picolé de morango pra tentar sentir algum gosto naquilo. (Daqueles picolés de água e gelo e essência?! ) Depois que termina o gelo a gente começa a chupar o palito de madeira e até que se engana que tenha nele algum calor, por conta do frio que tinha antes do picolé. Depois de um tempinho pouco a gente percebe que não tem gosto, nem calor e a língua reclama porque a dormência passa?! Pior, é que a gente não esquece do picolé nem 'cá pleura' porque fica depois a mão toda 'preguenta' e junta com a poeira e a vontade que dá é ir embora pra casa e tomar um banho?! Não há nada que seja mais marcante, cheiroso e saboroso e tão efêmero quanto um picolé de morango numa tarde vazia de domingo em um jogo de futebol sob o sol quente do sertão. Mas, a lembrança forte permanece e, até chegar a hora do banho, a gente sempre sente essa ausência do que passou, ou a presença do que ficou ainda grudado na pele, da memória forte do cheiro de morango, e até da sensação do palito sem gosto e supostamente quente de madeira. Eu sinto falta de alguém como quem sente falta de tudo isso e mais um pouco.

Pedro Torres
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