terça-feira, 19 de março de 2013

Para que cicatriz, se a carne espera Sobre o vão da ferida, mais um corte?

No mote de Siba, que o Poeta Esdras Galvão me aprensentou eu tentei:

Na ilusão de um caso já passado
Ressentido por minha desventura
Esperei muito tempo a criatura
Para ter o meu peito restaurado.
Na garganta um grito amordaçado
Naveguei pelo mundo sem ter norte
Mas achei novamente a minha sorte
E entendi circundando nesta esfera
"Para que cicatriz, se a carne espera
Sobre o vão da ferida, mais um corte?"

Muito tempo passou-se desde o 'nós'
E lhe fui tão fiel por tanto tempo
Que a saudade causou-me um contratempo
Por não ter mais você sob os lençóis
Outro dia, nós dois, falando a sós
Nosso amor foi um filme sem recorte
Muito embora houvesse algo mais forte
Percebi que aguardava uma quimera
"Para que cicatriz, se a carne espera
Sobre o vão da ferida, mais um corte?"

De um passado que viu felicidade
E não deixa no peito a cicatriz
Ninguém lembra sequer se foi feliz
Nem se morre também por ter saudade...
Pelas juras de amor, com falsidade
Quem dizia-se fiel até a morte
Sepultou nosso amor, e a nossa sorte
Fez brotar em meu peito a primavera
"Para que cicatriz se a carne espera
Sobre o vão da ferida mais um corte?"

Pedro Torres
Mote: Siba
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