quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Não ter saudade de nada É não ter nada na vida

No mote do poeta Zé Filó, eu disse:

Há na saudade uma espécie
De veneno endiabrado.
Que nos mata lentamente
Deixando-nos atordoado.
Causa tonturas na mente
Como a pinga envilecida
Mas, às vezes é homicida
Que desistiu da facada
"Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida"

Viver sem ter compromisso
Sem ter amor de certeza
Pois, imagine a tristeza
De quem não tem nada disso..
Sem conhecer o feitiço
Da primavera florida
Ou de "filar" a dormida
Na casa da namorada
"Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida"

Um cafuné, um afago
Um carinho que adormece
Um abraço caloroso
No frio, que nos aquece
Um beijo estalado e lindo
Na tarde de um dia findo
Na véspera da despedida
De uma noite encantada
"Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida."

O frio que nos aquece
Na distância que domina
Uma manhã cristalina
No sertão quando amanhece...
O surgimento da prece
Quando a dor é desmedida
O abraço de despedida
Logo depois da chegada
"Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida."

Antes de haver labuta
Tudo era brincadeira
Pelada, barra-bandeira
E para criança astuta
Tuti-fruti era a fruta
Por todos mais preferida
Com 'pera-uva-maçã' pedida
Quando era a 'namorada'
"Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida"

Pedro Torres
Mote: Zé Filó

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