quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Não há brecha na lei pra libertar Nenhum preso da cela da saudade

Sem direito à fiança eu fui julgado
Condenado nas causas da paixão
Recorri, mas, não teve solução
E fiquei numa cela do passado
Na lembrança não tinha advogado
Que defende o direito à verdade
Pra me por novamente em liberdade
Eu tentei pra mim mesmo advogar
Não há brecha na lei pra libertar
Nenhum preso na cela da saudade

Procurei assim mesmo uma saída
Fui à corte maior do coração
E levei pro juiz a petição
Recusando a sentença ser cumprida
Ao pedido o doutor negou guarida
Me julgando faltar-me 'qualidade'
Apesar de eu ser vítima da maldade
Minha causa ninguém  mais quis pegar
Não há brecha na lei pra libertar
Nenhum preso na cela da saudade

Por final, ingressei com um recurso
Um mandado final de segurança
Apelei à justiça da esperança
E o processo tomou um outro curso
Apesar dos embargos no transcurso
De problemas com a incapacidade
Finalmente eu saí da fria grade
Pois, chegou-me o amor pra me soltar
Não há brecha na lei pra libertar
Nenhum preso na cela da saudade

Pedro Torres, mote e glosa.

Não tem fórmula, nem regras nesse jogo.
Não existe remédio em hospital
Ninguém sabe se é bom, ou se é mal.
Se existe palestra, ou demagogo.
Se a paixão é ardente feito fogo
Se o corpo suporta essa vontade
Se existe juiz, sentença e grade.
Pra quem é condenado por amar
Não há brecha na lei pra libertar
Nenhum preso da cela da saudade

Esta é a prisão mais dolorosa
Que um ser pode ter como castigo
Não tem prazo do término, nem amigo.
Pra levar uma frase calorosa
Cada história contada é dolorosa
Muitas vezes acaba na metade
Não tem raça, fronteira, nem idade.
Nem remédio de amor para passar
Não há brecha na lei pra libertar
Nenhum preso da cela da saudade

Mote do poeta Pedro Torres Filho
Versos: Rubens do Valle.
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