terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Depois que a chuva voltou.

No mote de Dedé Monteiro, o Poeta:

Ficou correndo alegria
Nas manhãs da minha terra
Pois, no inverno se encerra
Um período de agonia
O sapo lá 'cantou' gia
A gia um sapo 'cantou'
Um com o outro se casou
Deram cria as ‘giazinhas’
Alegrando as manhãzinhas
Depois que a chuva voltou.

A mãe natura fez festa
Para o seu pródigo filho
Já que o inverno andarilho
Retornou para a floresta
No bredo se ouve a seresta
Que a seca antes calou
Pois, quando o trovão zoou
Na zabumba do infinito
Acabou-se o esquisito
Depois que a chuva voltou.

Na primeira trovoada
Foi tão grande a algazarra
Que até calou-se a cigarra
Também 'a' carão calada
Sentindo a chuva gelada
Do descanso se acordou
O seu canto, assim, soltou
A seca que lhe prendia
Decretou-se a alforria
Depois que a chuva voltou.

A nhambu deitou madorna
Sentindo o santo bulcão
Pois, que a seca no sertão
Morreu nessa tarde morna
Caatinga ora se adorna
Nas cores que o céu pintou
Deste verde que injetou
Nas folhinhas da jurema
Pela veia do xilema
Depois que a chuva voltou.

A sede que ali matava
Morreu de sede também
E agora o 'vai-e-vem'
Que a seca afugentava
Fez que foi numa oitava
Na metade recuou
Sertanejo se alegrou
Já solta sorriso à toa
Sentindo uma coisa boa...
Depois que a chuva voltou.

A vaca lambendo a cria
Que a seca ‘stava lambendo
E o caldeirão fervendo
Cozinhando aquela gia
Somente na poesia
Pois, o leite já 'qualhou'...
O 'bodin' 'quage' engordou...
Vai é ter coalhada em casa
Com esse ‘bodin’ na brasa
Depois que a chuva voltou..

Pedro Torres

O sapo que não cantava
Na orquestra do jardim
Na tristeza botou fim
Fez sorrir o que chorava.
E eu só me admirava
Co'o canto que'le entoou.
A ventania espalhou
O coro da saparia
Aí ninguém mais dormia
Depois que a chuva voltou.

O bem- te- vi que não via
Cantou: "bem-te-vi" de mais,
Beija-flor voou pra trás
Vendo a água que escorria.
Um furão que já dormia
Deu um pinote e acordou,
A mão de deus reformou
A caatinga adormecida
E a natura ganhou vida
Depois que a chuva voltou.

O sertanejo invencível
Ajoelhado no chão
Implorou por compaixão
Pelo sofrimento horrível.
Mas pra deus tudo é possível
Um trovão ele escutou,
Deu um sorriso e chorou
Lavando a face de fé,
Voltou a ficar de pé
Depois que a chuva voltou.

Elenilda Amaral

O sinal foi uma flor
No mandacaru aberta
É a mostra mais que certa
Que tá perto o fim da dor
Vamos ter mais de uma cor
Na caatinga que secou
O pasto se levantou
A cacimba ficou cheia
A barragem ficou meia
Depois que a chuva voltou

Hoje está tudo mudando
Diz o velho sertanejo
No sertão também eu vejo
O matuto festejando
Vendo o verde levantando
Com a chuva que molhou
Asa Branca retornou
O sapo canta contente
Ficou feliz nossa gente
Depois que a chuva voltou

Cada gota que caiu
Com reza foi recebida
Pela gente tão sofrida
Que nesta hora sorriu
Para Deus se dirigiu
Agradecendo chorou
Dizendo assim, graças dou,
Por salvar o meu torrão
E também molhou o chão
Depois que a chuva voltou

Wellington Rocha

Sertão chegou tua vez
De sentir felicidade
Depois de toda maldade
Que a seca ingrata te fez
Com as chuvas desse mês
A quentura amenizou
E o sertanejo vibrou
O fim desse tempo estio
Já planejando um plantio
Depois que a chuva voltou.

Daqui pra frente a caatinga
Começa a ficar mais bela
Mostrando a beleza dela.
É assim que ela se vinga!
E cada gota que pinga
Na plantinha que murchou
É como se fosse um ''gol''
Do do astro do infinito
Pra tudo ficar bonito
Depois que a chuva voltou.

Assim não se ouve mais
Lamento, reclamação,
Nem choro em televisão
Nas manchetes dos jornais
Muda tudo, e aliás
Onde ainda não mudou?
Por aqui já começou!
E o sertanejo valente
'Tá' até mais sorridente
Depois que a chuva voltou.

Com essa chuva esperada
E o inverno na ativa
A vegetação nativa
Fica mais esverdeada
Multiplica a passarada
Que nunca mais entoou
Bacurau que não cantou
Nas estacas dos currais
Canta até não querer mais
Depois que a chuva voltou.

Cicinho Moura

Logo que a chuva surgiu
Molhando nosso sertão
O som do pássaro carão
Lá na lagoa se ouviu
A velha acauã fugiu
O seu canto se calou
O sertanejo louvou
A Deus pelo fim do drama
Onde era poeira é lama
Depois que a chuva voltou

O sertanejo contente
Começa arar seu roçado
Tem muito pasto pra o gado
Que estava magro e doente
O semeio da semente
Também já se iniciou
Alegria retornou
Por ali ninguém mais chora
A tristeza foi embora
Depois que a chuva voltou!

Hoje é a realidade
Onde só era esperança
O jovem, o velho, a criança
Esbanja felicidade
Quem sofreu necessidade
De comida se fartou
A fome se afastou
Tem almoço janta e ceia
Fartura e barriga cheia
Depois que a chuva voltou

O abutre se esnobava
Ao devorar as carcaças
Bem feliz com as desgraças
Que a seca provocava
O luto se espalhava
Mas o tempo ruim passou
O gado todo engordou
Quando o pasto floresceu
Urubu emagreceu
Depois que a chuva voltou!

Carlos Aires

A seca por ser feroz
Nesse sertão sofredor
Os homens trabaiador
Saíram dele veloz
Ninguém ouvia sua voz
Mais Deus também se alembrou
Asa branca retornou
Com o ronco do trovão
Veio de novo ao sertão
Depois que a chuva voltou.

Os rios agora correndo
Água de novo juntando
O povo se animando
Não guentava tá sofrendo
Mas agora tá chovendo
Todo mundo se animou
A natureza cantou
A sua santa riqueza
Aumentando a beleza
Depois que a chuva voltou.

A safra tá pra chegar
Pois a água floresceu
Rosinha “endoideceu”
Quando falou em casar
Ela feliz vai ficar
Luizinho já ficou
Na canção anunciou
Que vai ser no fim do ano
Já bolaram até um plano
Depois que a chuva voltou.

Os besouros estão voltando
Os sapos já comemora
Um casal que se namora
Um no outro esquentando
O pai fica vigiando
Os olhos arregalou
A menina se encantou
A moça dali fugiu
E pra casa ressurgiu
Depois que a chuva voltou.

A mata se recobriu
O povo ficou contente
A terra tá sorridente
E novamente floriu
Depois que a vaca pariu
A cria se levantou
Depois lhe amamentou
Ela ficou protegendo
Alegre saiu correndo
Depois que a chuva voltou.

Agricultor agradece
Por ter chuva no seu chão
Pra molhar a plantação
Ele fez a sua prece
O seu patrão obedece
E também já lhe pagou
Uma pinga ele tomou
Antes de chegar em casa
Já tinha carne na brasa
Depois que a chuva voltou.

Quem tá longe alegre fica
Pela a chuva do sertão
Em jornal, televisão
Ver a terra ficar rica
Pra tomar banho de bica
Até vó se animou
De alegria até chorou
Pois está tudo molhado
Vai plantar no seu roçado
Depois que a chuva voltou.

Dayane Rocha
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