sábado, 5 de janeiro de 2013

Aquela chuvinha fina Me faz chorar de saudade

Recordo perfeitamente
Quando em minha idade nova
O meu pai cavava a cova
E eu plantava a semente
Eu atrás ele na frente
Por ter força e mais idade
Olhando a fertilidade
Da vastidão da campina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Pinto do Monteiro.

Há dias que não chovia
O sertão estava em pranto
Mas, a chuva desceu tanto
Que na terra não cabia
A água então escorria
Trazendo felicidade
Mas, também trouxe maldade
Que junto com a neblina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Eu lembro da natureza
De tudo que é mais belo
Do meu recanto singelo
Que Deus pôs tanta beleza
E fez minha fortaleza
Estar naquela cidade
Pra minha infelicidade
Minha sorte, minha sina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Enquanto a chuva caia
Meu coração soluçava
Porque bem longe eu estava
Do cheiro que mais queria
Escutando a melodia
Duma chuva de verdade
Só me aumentava a vontade
De correr pela campina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Nem a força do repente
Com toda a s'ua poesia
Me dava aquela alegria
Que existia na gente
Foi plantada uma semente
De muita sinceridade
Brotou um pé de bondade
Pelo sopé da colina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Um amor que se namora
No tempo da invernia
Caindo a chuvinha fria
Toda ausência é demora
E depois poeta chora
Quando a tristeza lhe invade
E fica pela metade
Se lembrando da menina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Enquanto a gente se amava
Uma chuvinha caía
Eram pingos de Poesia
Que Deus do céu nos mandava...
Parece que abençoava
Nosso amor de claridade
No abraço, a sinceridade
Da luz terna da campina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade...

Ela me dava notícia
De uma chuva na terrinha
Caindo bem de mansinha
Leve, fazendo carícia
Na viagem fictícia
Lhe abraçava com verdade
Sentindo a felicidade
Do calor sob a neblina
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade

Pedro Torres
Mote de Pinto do Monteiro

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