terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Primavera [Flores vermelhas brotaram!]

Chegava enfim o fim doutra primavera
E eu que já cansado da longa espera
Vi surgir uma orquídea dentro de mim

Esperava florido o meu jardim de flores
E, não doída, a ferida das minhas dores
Vi a orquídea brotar de amores

Gastei as rimas pobres para que perecessem
Não queria que singelas as minhas palavras
Parecessem.

Meu peito estava em plena agonia
E eu sentia um peso na consciência
Parecia que a verdade, na inocência,
A vil mentira atroz lhe consumia

Eu te tenho em boa conta
Estás no meu pensamento
E zelo para que não padeça.

Identifica-te tão bem em minhas linhas
Que até parecem, as linhas, um lamento.

Que perfeito que tens tal sentimento
Pois, não sabias que nada sentias
Como se a letras estivessem vazias
De um beijo molhado repleno de poesia.

Eu declaro as tuas curvas
As curvas mais bonitas da natureza
Ah! Orquídea, quanta beleza tem tuas curvas...

Os rios que haviam de águas turvas
Haviam secado, pois não vieram
As chuvas.

Saí, comprei uma cerveja
Mas nem um gosto me satisfaria
Senão teu beijo doce de cereja.

É que eu também via pomares em ti
Via, veria e inda vejo
Tu és meu dia e minha sorte, meu desejo.

Eu te quero, plenamente egoísta,
Um reles humano inveterado, materialista
Desses que a vida lhe dá o que fazer.

O que pensar, o que sentir.. Não!
O que sentir reside no querer,
E senti saudade de ti...

O que explicar do que não se explica?!..
Eu e minha filosofia barata
Queríamos apenas viver..

Eu quero o teu abraço mais doido.
Quero ser tão honesto contigo
Que até minhas mentiras pareceriam verdades
E jamais mentiria pra ti.

Nada aconteceu, e não aconteceria
Pois, nessa primavera ao fim da espera
Uma história de amor, por fim,
Acontecia.

Havia, porém, um senão... (pausa infinda)

Ah se o tempo navegasse como navegam as palavras.
E depois da pausa, teu coração
Pulsasse.

Mais forte e quem sabe ciente,
Desse querer mais lindo da gente
E que ninguém já não percorreria
Que, de amores, a gente morria.

E da carnificina que cometeríamos
Restaram os dias que nos amaríamos
E eu esperando a tua mensagem...

Toda vida, d'ouro!

Pedro Torres


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