terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PAPAI NOEL E O MENINO DE RUA!!!

A gente passa o ano inteiro de labutas e incertezas. No período que povoam as esperanças natalinas, o coração não resite às concretudes da vida ante o espírito de amor fraterno que nos abraça.

O poeta, ser sensível dos mundos, traduz em poucos segundos, o que às vezes é invisível. A dor de uma criança faminta, os desmantelos do mundo, a graça de uma criança, sorrindo com esperança, um descorado de tinta, que um poeta pinta, na força que lhe conduz.

Assim, o poeta Carlos Aires, nos presenteia com uma reflexão verdadeira e profunda de uma dessas situações de mundo que não cabem em nós todos os dias pretéritos, mas, auxiliam-nos a compreender uma posição e assumir responsabilidades para os dias que seguem adiante.

Pedro Torres

Papai Noel e o Menino do Rua:

Sou um menino de rua
Que vivo pedindo esmola
Um pivete, trombadinha.
Moleque que cheira cola.
Vivo uma vida maldita
Em mim ninguém acredita
Nem sequer me dão ouvidos.
Sou malfadado sem sorte
Vivo entre a vida e a morte
No mundo dos excluídos.

Perambulando nas ruas
Numa loja eu adentrei
Papai Noel ali estava
Eu dele me aproximei
E lhe perguntei assim
Tem um presente pra mim
Que vivo em desesperança?
E antes que ouvisse as respostas
Senti um toque nas costas
Era a mão de um segurança.

Foi logo me perguntando
Estás querendo roubar?
Não vê que aqui não te cabe
Nem é esse o teu lugar
Seu esmolambado e roto.
Vá remexer no esgoto
Ou nas lixeiras da praça.
Vai cuidar da tua vida
Caçar restos de comida
Pra fome que te ameaça.

Eu falei assim: seu guarda!
É tão cruel minha vida
Não tenho lar nem parentes
A minha infância é perdida
Vivo assustado com medo
Nunca possui brinquedo
Nem outro divertimento
Só aflições e torturas
Mágoas, lamentos, agruras.
Vivo um viver violento.

Porém se aqui eu entrei
Não foi pra nada roubar
Foi pra ver se o bom velhinho
Poderia me explicar
Numas frações de segundos.
Porque existem dois mundos
Com tantas diversidades
Num há fartura e riquezas
Noutro miséria e pobrezas
Porque as desigualdades?

E queria convidá-lo
Pra sair nas madrugadas
Pra ver a situação
Dos que vivem nas calçadas
Na miséria e infelizes
Se amparando nas marquises
Em completo desabrigo
Sendo marginalizado.
O que fizeram de errado
Pra sofrer esse castigo?

Já que o senhor bem conhece
O orbe dos abastados
Venha conhecer também
O mundo dos favelados
Aonde a pobreza impera
Porém a fé prolifera
E em Deus se tem confiança
Sofrem-se necessidades
Passam-se dificuldades
Mas, se cultiva a esperança.

Nós, as crianças carentes.
Temos momentos tristonhos
Mas, isso não nos impede
De também ter nossos sonhos.
Ver em breve outros Natais
Com as camadas sociais
Na maior felicidade
Numa ampla e farta mesa
Juntos, pobreza e riqueza
Compartilhando a igualdade.

Pense bem papai Noel
E mude os trajetos seus
Se nenhum bem possuímos
Mas, somos filhos de Deus.
E no Natal de Jesus
Traga um alento, uma luz
P'raquele que nada tem.
Pois nos Natais com refino
Mesmo Jesus pequenino
Não é lembrado também.


Que na noite natalina
Entre nas mansões bonitas
Mas vá também aos barracos
Mocambos e palafitas
Assim nas suas andanças
Vá semeando bonanças
Das maneiras mais sutis
Nas humildes moradias
Vá enchendo de alegrias
Os corações infantis


Poeta Carlos Aires
11/12/2012
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