sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Orquídea

Essas palavras quase secretas
Que não guardam segredos de nós
Da calma boa, no peito, poeta

Sem degredos que nos alcance
Pois, demasiado perto.
Duma métrica ainda desconhecida
Ou talvez duma rima que somamos.

Das astutas palavras que trocamos
Decorando o enredo de duas vidas
As ditas e as caladas, que amamos.

Do que não carecia ser dito
E silenciamos em nós, mais, bonito.
O pensar-se em vida de amor
Viver o amor, o que dissemos

E tu que te procuravas nestas linhas
E que, talvez, perdesses o sono
E esperavas falar da orquídea, aflita!
Imaginasse a cena...

Da cascata na floresta tropical...
E tu que ouvias o que não estava escrito
No silêncio da noite guardasse teu grito
Da certeza da dúvida que espera
Do ser ou não ser, do conflito.

E tu que querias ouvir da primavera
Preservasse o que há de mais belo
As palavras guardadas, o que não fora dito.

Talvez doesse mais uma medida
Talvez um abraço sanasse as dores
Talvez nós morrêssemos de amores
Certamente, não hesitaríamos...

Um descompasso, uma falta de ritmo
A tristeza que não se achegava
A brisa suave que acalentava

Com pudor quebrou o martelo
Antes que, as pedras, quebrasse.
Antes que a orquídea de amor morresse
Zelou o poeta a flor mais bela.


Pedro Torres

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