sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vou vender meu coração, por qualquer tostão furado

Num desses momentos de inspiração, em que coisas boas surgem da poesia, um mote me veio à mente:

Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Provoquei o poeta Felipe Junior e ele disse:

No leilão desse romance
Todos sabem do endereço
Mesmo sem saber do preço
Você logo deu seu lance.
Torço pra que não se canse
Esse peito enferrujado
Se por ninguém for comprado
Minha única sugestão
É vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Poeta Felipe Junior

Aproveitando a deixa eu disse:

Pra valorizar o 'amador'
Fiz tudo quanto podia
Para ganhar mais valia
Dei polimento de amor
Tentei aumentar o valor
Do meu peito remendado
Mas, o leilão tava marcado
E a única solução
Foi vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Depois de tantos amores
Meu peito inda suporta
Procurar de porta em porta
Por outros cheiros de flores
Após tantos dissabores
E já um tanto rodado
Basta fazer um fiado!
(E nem paga comissão..)
Pra comprar meu coração
Por qualquer tostão furado

Na bolsa de valores
Dos corações partidos
Restam juros divididos
Entre tantos mercadores
Percebi que essas dores
Mais as dores do passado
Cortam o preço de mercado
E fica barata a ação..
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

No mercado do amor
Eu paguei um alto preço
Mas sei que não mereço
Pagar carinho com dor
Já perdeu tanto valor
Que o jeito é ser trocado
No preço desse mercado
É grande a variação
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Também instigado a escrever umas livras o poeta Clécio Rimas declarou:

Meu coração vagabundo
Depois de tanta investida
Vive sozinho na vida
Vagando em trauma profundo.
Eu já vasculhei o mundo
Tenho muito procurado
(e) Meu peito sendo um mercado
Hoje estava em promoção!
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado!

Poeta Clécio Rimas 

Em seguida, foi a vez do poeta Hélio Ferreira Lima dizer:

Vendo agora o meu bem
Não encontro comprador
Ninguém bota o valor
Que meu sentimento tem
Não achei nenhum vintém
Não acho qualquer achado
Como estou desesperado
Sem juízo, sem razão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Eu andei de porta em porta
Pelas sete freguesias
Varei noites, varei dias
E mais nada me conforta
Ninguém disse quanto importa
Meu amor desempregado
Não vale nem um trocado
O que valia um milhão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Poeta Hélio Ferreira Lima

Observando o movimento, de origem de família paraibana de poetas, o poeta Raminho Ramis prestigiou dizendo:

Ô mulé, bicho cruento
Que só quer saber de grana!
Não adianta ser bacana,
Bonitinho e ter talento
Que não rola “sentimento”
Se o cabra for um lascado.
O pobre sem um trocado
Temendo ficar na mão
Vende logo o coração
Por qualquer tostão furado.

Se tudo tem seu valor
Meu problema é botar preço
Tem coisas que não mereço
D’outras, sou merecedor
Mas é aborrecedor
Passar por exagerado,
Mesmo tendo avaliado
Pra não causar inflação
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Poeta Raminho Ramis

O Facebook, ferramenta fantástica para compartilhamento de ideias e interesses em comum, permitiu a poetisa Lucélia Santos da cidade de Patu no Rio Grande do Norte que assitia ao movimento nos brindar com esta construção:

Me jurou eterno amor
Mas foi falsa a sua jura
Os momentos de ternura
Se transformaram em dor
Meu peito guarda rancor
Por ter sido machucado
Meu coração magoado
Não crê em toda paixão
Não dou mais meu coração
Por qualquer tostão furado.

Poetisa Lucélia Santos

Já botei placa de venda
Na entrada do meu peito
Só pra ver se acho um jeito
Pra que o povo me entenda
E você me compreenda
Que já estou acabado
O meu viver foi roubado
E eu não achei o ladrão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Poeta Henrique Brandão

O poeta Esperantivo também contribuiu com o decassílabo:

Depois de ser enganado
Por uma louca paixão
Me perdi na solidão
Um romance sem amor
Que trouxe tristeza e dor
Não merece ser lembrado
Deixei ficar no passado
Pois não teve servidão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Poeta Esperantivo

Também provocado, o poeta Dudu Morais participou da roda dizendo:

Fui por dama traiçoeira
Tradado ser ter afeto,
Do jeito de um objeto
Que a gente troca na feira
Sofri de toda maneira
Sozinho, triste e calado
Porque quem já foi trocado
Por nada faz mais questão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Poeta Dudu Morais

Como a festa ficaria sem graça nenhuma sem ela, a poetisa Mariana Véras chegou batendo e decretou:

Eu morro mas não entendo
A sensação que se sente
Quando se planta semente
E não se enxerga crescendo
O solo seco fervendo
Resseca nosso passado
Eu cobro no teu gramado
Mas o valor é em vão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Poetisa Mariana Véras

E antes do apagar das luzes a Poetisa Joyce Maria danou esse verso em nós:

Resolve fazer um leilão
A oferta você oferece
Pode ser até uma prece
Em forma de oração
Aceito também perdão
Quem estiver interessado
E também adaptado
Pra uma nova paixão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado

Não aceito mixaria
Pois é muito valioso
Meu amor é poderoso
E traz minha companhia
Que sentir a alegria
Fique bem do meu lado
Dê um preço caprichado
E entrego em sua mão
Vou vender meu coração 
Por qualquer tostão furado

Cancelei a minha oferta
Optando pela verdade
Pra viver com falsidade
É melhor ficar quieta
O meu dom de ser poeta
Não nasceu adaptado
Pra viver desmantelado
Sofrendo com a ilusão
Não dou mais meu coração
Por qualquer tostão furado

Joyce Maria

Aí a poetisa Dayane Rocha chegou arrebentando o silêncio da sala dizendo:

Vou botar placa de venda
Para quem quiser comprar
Não precisa preocupar
Pois, ele não tem a fenda
Faça nele a sua tenda
E me pague adiantado
Eu só não vendo fiado
Por que tá na promoção
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Se tiver mais comprador
Eu posso até leiloar
Quem der mais já vai levar
O estoque todo de amor
Que pra mim não tem valor
E agora que tá comprado
O valor foi alterado
Mas, a compra num foi não
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Ele não tem validade
E dentro tem um tesouro
Que vale mais do que ouro
E de boa qualidade
Estou com necessidade
Um prejuízo danado
O frete é gratificado
E divido no cartão
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Se ele não funcionar
Não venha me cobrar nada
Na venda foi avisada
Mas, tu não quis escutar
Porque queria comprar
E agora já tá comprado
Não quero troço quebrado
Não aceito devolução
Vou vender meu coração 
Por qualquer tostão furado.

Dayane Rocha

Não parou por aí, a poetisa egipsiense, do berço imortal da poesia, São José do Egito, disse:

Coração não vale nada
Tanto fez como sofreu
Mas no jogo ele perdeu
Na penúltima jogada
Deu a última cartada
E o jogo tinha parado
Tentou esquece o passado
Mas não teve condição
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Ana Clara Souza

E a poetisa Elenilda Amaral de Afogados da Ingazeira participou com essa pérola .


Depois de tanto sofrer
Esperando a tua volta
Tou sentindo uma revolta
Sem te ver aparecer.
E sabe o que vou fazer
Pra te mandar pro passado?
Botar num cartaz quadrado
Com letras de forma e mão:
Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado.

Elenilda Amaral
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