sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Quem não mede o bem que fez Já disse coisa demais

O poeta Caio Meneses arrumou um mote do poeta Otacílio Batista e a gente brincou dizendo:

PT (Pedro Torres)

Vaga a esmo no mundo
Sem teto, sem um abrigo
Um pobre de um mendigo
Todo sujo, todo imundo
Desse pobre vagabundo
Não noticiam os jornais
Mas, um cidadão de paz
Lhe ajuda mais de vez
Quem não mede o bem que fez
Já disse coisa demais

CM (Caio Meneses)

Se todo mundo ajudasse,
O mundo se ajudaria,
A tirar a agonia
De alguém que precisasse,
E se manteria a classe
Pra todo mundo ser mais.
Sem publicar nos jornais
Se fez bem alguma vez.
Quem não diz o bem que fez,
Já disse coisa demais.

PT

Um mendigo estende a mão
Pedindo por um trocado
E, sem contar o doado
Lhe acode um cidadão
Que em outra ocasião
De situações desiguais
Recebeu um tanto mais
Lembrando s'ua pequenez
Quem não mede o bem que fez
já disse coisa demais

CM

Quem passando a avenida
Ajudou alguém doente
E depois seguiu em frente
O curso de sua vida,
Encontrando outra ferida
Ajuda na mesma paz.
Quem não mede o bem que faz
É o que faz bem outra vez.
Quem não diz o bem que fez,
Já disse coisa demais.

PT

Vê-se um pobre desolado
Recostando num recanto
Derramando tanto pranto
Por sentir-se derrotado
Quem assim é ajudado
Não se esquece jamais
Da ajuda que se faz
No tempo da escassez
Quem não diz o bem que fez,
Já disse coisa demais.

CM

Ajudar é tão normal,
Mas o mundo está tão louco
Que até se cobra o troco
De entrar num hospital.
Quem nunca tirou o pau
Pra ninguém se espinhar mais?
Hoje em dia o satanás
Bota é o pau outra vez.
Quem não diz o bem que fez
Já disse coisa demais.

PT

Pobre e sujo, sem nome
Sentindo o desengano
Pede a outro ser humano
Que lhe socorra da fome
Faz um prato, ele come
Mais um prato, come mais
Sacia a fome voraz
Recobra-se da palidez
Quem não mede o bem que fez
Já disse coisa demais

CM

Ajudar me dar prazer,
Mas eu não saio dizendo
Aquilo que estou fazendo
Só para o povo saber,
Pois eu ajudo pra ver
Meu mundo ficar em paz.
As plantas, os animais,
Merecem nossa altivez.
Quem não diz o bem que fez
Já disse coisa demais.

PT

Um catador de lixo
Catando lixo na praça
A fome lhe tira a graça
Não tem endereço fixo
Anda parecendo bicho
Quem nem sombra ele faz
Mas, divide se tem mais
Salva-se da mesquinhez
Quem não mede o bem que fez
Já disse coisa demais


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