quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O sertão está no cio Querendo ser fecundado

Estive no sertão estes dias, em plena invernada e cheia do Rio Pajeú, como há muito não se via e, um dia, sentado na praça, me veio ao coração um mote:

O Sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Eu disse:

Cái! Cái! Cái! tanajura
Gritam crianças correndo
E complementam dizendo:
Da bundinha de gordura
Como numa iluminura,
Um quadro emoldurado,
De um céu apaixonado
Chorando em desvario
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Quando chega a invernia
Na terra que eu cresci
Vê-se cedo a colibri
Versejando a melodia
Declamando a alegria
De ver o tempo mudado
Como num quadro pintado
Vê-se o vergel no baixio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Um pingo apaga o cigarro
Que um matuto fumava
Enquanto o céu preparava
A nuvem feita de barro
Como se fizesse um jarro
Pra depois, despedaçado
Cair deixando molhado
O leito seco do rio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Deslizam nuvens serenas
Pairando no firmamento
Suspendidas pelo vento
"Em mornas tardes amenas"
Vê-se crianças pequenas
Num universo nublado
Que por um vento gelado
Quase morreram de frio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Plantando milho de meia
Matuto prepara a terra
E só depois ele enterra
Sementes na terra alheia
A aranha tecendo a teia
Faz tão belo emaranhado
Que depois de enrolado
Dá para fazer pavio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Logo, de manhã cedo
"O brilho morno do sol"
Faz contente um rouxinol
Cantarolar no arvoredo
O frio completa o enredo
No meu sertão encantado
O sol nascendo acanhado
Num ambiente sombrio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado.

Pedro Torres

O céu então relampeia
Do chão já sobe mormaço
Quentura tem nervo de aço
Que cheiro de chuva pareia
A negra nuvem vem cheia
No vento que é assoprado
Já pode ser declarado
Que chuva desce no rio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Poetisa Mariana Véras

A nuvem encobrindo o sol
A bafagem arejada
A água tão esperada
Por quase todo arrebol
A Terra está um lençol
Todo pronto e arrumado
Esperando o namorado
Na montanha e no baixio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado.

Poeta Josa Rabelo

Pra matar minha ansiedade
Eu quero ver novamente
O sertão todo contente
E mato verde à vontade
Já tô com muita saudade
De rever o chão molhado
Agricultor animado
A correr pelo baixio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Poeta Cicinho Moura.

Vejo sementes espermas
Penetrando a terra dura
Umas vão pra sepultura
Morrem pelas bocas termas
Outras ultrapassam bermas
De um chão fertilizado
Mas caindo no roçado
São sementes de plantio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Poeta Hélio Ferreira

A poetisa Dayane Rocha achou um espaço em uma de minhas estrofe e fez:

Uma nuvem carregada
Sobre nós se aproxima
E quem olha lá de cima
Ver a dura caminhada
É longa nossa estrada
E quem de longe passava
Logo se admirava
A chuva molhando o barro
Um pingo apaga o cigarro
Que um matuto fumava.

Dayane Rocha

Conversando com o poeta Maviael Melo ainda em 2009, passei pra ele o mote, que debulhou esses versos

O rio se excita e transborda
Com a bonança das chuvas
Seguindo e fazendo curvas
Num trovejar que acorda
E um sertanejo recorda
Das agruras do passado
Mas sente o solo molhado
Vê o vergel no baixio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

O coração pulsa forte
Quando a paixão lhe aperta
Sentindo a alma deserta
Resolve fugir pro norte
Fica mais perto da morte
Entristecido e fadado
Mas se o céu vê nublado
Se alegra e requebra o rio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Com o cantar do carão
Ele chora igual menino
O padre ressoa o sino
Pra agradecer num sermão
As chuvas que no sertão
Deixa tudo esverdeado
As bonecas do roçado
Vão preenchendo o vazio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

E assim começa a quermesse
Com alegria na aldeia
A lua cheia clareia
Um ancião que agradece
Uma mãe faz outra prece
A Jesus, o filho amado
O filho dorme enrolado
Se protegendo do frio
O sertão está no cio
Querendo ser fecundado

Por Maviael Melo
Em 16 de junho de 2009
http://www.maviaelmelo.blogspot.com/

Provocado, o Poeta Raphael Moura nos prestigiou com essa belíssima estrofe:

Um Passarinho sai cantando
Avisando: - A chuva vem!
Vai feliz por que também
Vai reformar o Seu Ninho
Com o cantar do passarinho
O trovão corta o Serrado
O Sol despede do lado
E a Chuva vem no baixio
O Sertão Está no Cio
Querendo ser Fecundado

Raphael Moura
17 de junho de 2009

Minha Colaboração Poetaaa!!!
Humilde, mas de Coração!!
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