domingo, 11 de novembro de 2012

Et Estiagem

No mote (modificado) que o poeta Hesdras Souto lembrou eu disse:

Quando chega a estiagem
Afugentando a tormenta
Queima a seca violenta
Acinzentando a paisagem
Sertanejo pega a rodagem
Pra escapar um verão
O sol acende o clarão
Deixando a terra ressequida'
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão

Toda a mídia silencia
A TV faz sua parte
E dessa 'obra de arte'
Ela não nos noticia
E só passam porcaria
Para a sua diversão
Mas uma televisão
Agindo assim é homicida'
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão.

'Eles' culpam a natureza
Pela ausência da chuva
E isentam o 'mandachuva'
Não tem verba pra represa..
Mas, na capital, a riqueza
É pra mais de milhão
Concentrados numa mão
De outras mãos esquecidas
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão.

O sertanejo é valente
Quando a seca se aproxima
Pois já conhece o seu clima
A mídia fica indiferente
E o problema da gente
Fica sem ter solução
É a mesma televisão
Que já matou muitas vidas
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão.

Água seca nos barreiros
Construídos de emergência
Mas não têm a resistência
Pra segurar dois janeiros
Bichos morrem nos terreiros
E urubu faz plantão
Mirando a putrefação
Das criaturas carcomidas
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão.

Pedro Torres

A chama ardente que causa
Efeitos no solo e na mente
O gado morreu certamente
Na seca malvada sem pausa
Mulher que sentiu menopausa
Conhece o calor do verão
O tiro que o sol dá no chão
Não mata nas balas perdidas
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão.

A seca sai decorando
Com cinza todo o verdume
Estraga até o perfume
Das flores que tavam brotando
Açude vai ressecando
Perdendo a vegetação
Por mim eu mudava a versão
Q’eu vejo na dor dessas vidas
Só chuva sara as feridas
Que a seca faz no sertão

Mariana Véras
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