segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Debandada

Me veio à mente esse mote, não tenho certeza de o ter criado. Penso que seja um daqueles versos que ficam vagando no ar, ou na memória.

Voei como um passarinho
Por entre relvas cheirosas
Sentindo o cheiro das rosas
Sem querer voltar pro ninho
Mas, me perdi no caminho
Desse lugar diferente
Que o destino é indulgente
E não perdoa a quem erra
Vou voltar pra minha terra
Que eu lá me sinto gente

Passei por terras distantes
Lugares ermos, sombrios
Senti abalos, calafrios
Conheci outras vazantes
Nos meus voos delirantes
Cruzei rios, vi enchente,
Mas, deixei uma semente
Lançada num pé de serra
Vou voltar pra minha terra
Que lá eu me sinto gente

Também conheci amores
Voando em campos risonhos
Eram florestas de sonhos
Com plantas de todas cores
Mas, depois senti as dores
De uma saudade imprudente
Dessas tão inconsequentes
Que só um coração desterra
Vou voltar pra minha terra
Que eu lá me sinto gente

Vi tantas garbosas flores
Quando arrebentava o dia
Enquanto voava eu sentia
Faziam festas de odores
Mas, perdi todos sabores
Nesse meu voar plangente
Como o passeio pungente
Que de repente se encerra
Vou voltar pra minha terra
Que eu lá me sinto gente

Pedro Torres
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