domingo, 30 de setembro de 2012

Sonhos medonhos

Eu sonhava com uma era
Quando ouvi a passarada
Anunciando a invernada
trazendo a chuva sagrada
pra gente de meu sertão

era o fim da longa espera
Deus ouviu a minha prece
que sertanejo não equece
de fazer reza, quermece
pra oitiva do trovão

vi todos campos floridos
voavam os passarinhos
buscavam fazer os ninhos
catando palha em moinhos
pra ver os filhos crescidos

tempo de muita fartura
de preá, de rapadura
de melaço, tanajura
de fazer festas nos rios
os animais arredios..

acabara o sofrimento
já não faltava alimento
e o vento no cata-vento
trazia paz ao momento
com o som da cantilena

e eu decorava a cena
daquela tarde serena
pra se a seca voltasse
eu ver como é que nasce
a buganville vermelha

era a primeira centelha
quando o sol bateu na telha
fazendo graça co'as flores
para aliviar todas dores
varriam toda campina

de manhã u'a neblina
descia pela colina
deixando todo florido
o chão d'antes ressequido
q'eu pensava esquecera

saltavam todos os bichos
no terreiro eu via lixos
varridos na ventania
enquanto tudo acontecia
a natura e seus caprichos

acordara a primavera
última coisa que lembro
havia começado outubro
eu vi o tempo rubro
e acordei desse sonho.

um pesadelo medonho
que a todos atordoava
a seca que castigava
mal nutria, martirizava
dava ares de cansaço

pra aliviar os mormaços
Deus providenciou a chuva
nos campos vi a saúva
levando folhas nos braços
pra decorar sua casa

aquele tempo de brasa
havia por fim terminado
era tempo de arado
de fartura, de ver gado
numa profunda alegria

foi findando a poesia
que vi ao cair do dia
o começo da invernia
e o inferno que fazia
virar inverno sagrado.


Pedro Torres
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