quinta-feira, 17 de maio de 2012

Esperança

Se rasgo a minh’alma
E expulso do peito um verso
É que bem antes vejo a calma
Desse mundo tão perverso.

O avoo da andorinha
A agouro do bem-te-vi
O céu vermelho da tardinha.

Os gemidos do solo seco
A boca cálida de reza
Do cálice que a gente preza
Ébrio caído em beco!

Então tudo Lhe negaram
Dos pecados todos vossos
E as andorinhas voltaram
Expondo os vossos ossos.

Eis o vento no telhado
Espanando a areia fina
Fazendo graça co'as folhas
Deixando o ar mais gelado
Trazendo o furor da neblina
Sem saída que se escolha....

Ficou, então, o vento mais forte
E fez barulho na palmeira
Eu vi corisco pro norte
Na redenção primeira...

Um recado?! Não sei se posso...
Escapam-me todas as rimas
Embaralhando essas linhas
Nos versos que ora traço.

Veja lá por você mesmo
Deixe cantar o caçote
Não ligue, prepare o pote
Que é noite de trovoada...
Em vinte e três de Maria,
Dias do teu balaio.

Pedro Torres
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