segunda-feira, 30 de abril de 2012

Irmã seca

Irmã seca injustiçada
Venho te pedir perdão,
Pelos golpes e insultos
E as culpas que te dão.
Dizem que és inclemente
Causticante, e renitente,
Isenta de piedade.
Doadora de sobejos,
Madrasta dos sertanejos,
E mãe da calamidade.

És da fome promotora
Da sede fonte perene,
A maior acionista
Da indústria da Sudene.
Do desespero és a farra,
Inspiração da cigarra,
Patrocínio da discórdia.
Tu és causa de gemido.
Pra sertanejo ferido:
Tiro de misericórdia.

Mas na verdade irmã seca,
Tu não tens culpa de nada.
És bode expiatório,
De uma política safada.
Que diz que só faz o bem,
Roubando de quem não tem,
Depois usando teu nome.
Cria leis só para alguns,
Leis que enriquecem uns,
E matam muitos de fome.

Não irmã, tu não tens culpa
És um fator natural,
No meu nordeste tem seca
Mas é seca de moral.
Temos uma seca crítica
Mas é seca de política
Que almeje o bem comum.
E não nos dê duras penas
Mate de fome centenas
Para saciar só um.

Desculpe irmã seca insultos,
Acusas e maldições.
Protestos que tu recebes
Dos cariris aos sertões.
O desespero e a mágoa
Não são por falta de água
E pão que a todos comove.
É por que gente que sonha
E politico de vergonha
Há muito tempo não chove.

2 comentários:

  1. Olá amigo Pedro,

    parabéns pelo blog!!!!

    Realmente essa poesia,é de cortar coração,não só pela sua beleza,mas pela realidade que ela nos mostra,afinal estamos passando a maior seca dos últimos 100 anos(pelo menos aqui na Paraíba)e é muito triste ver os animais morrendo por falta de alimento,e não poder fazer nada para mudar essa realidade...Infelizmente as autoridades, parecem quem não tem tanto interesse em resolver esses problemas das estiagens,e só fazem coisas paliativas,e não constroem abras que mudem a cara do nosso semiárido...

    Abraço.
    paulo Romero.
    Meliponário Braz.

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    1. Caro Paulo Roberto:

      Obrigado pela visita e palavras de estímulo.

      Volte sempre e forte abraço,

      Pedro Torres

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