segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Louvando o gênio Filó...

O poeta Jorge Filó, compartilhou em 2005 essa missiva do Poeta Dedé Monteiro, convidando ao lançamento do livro As curvas do meu caminho, de autoria do gênio Manoel Filomeno de Menezes, Manoel Filó, realizando o seguinte aparte:

Manoel Filomeno de Menezes,
Uma vez você disse sem pensar
“Chora o cedro na gruta da floresta
Escutando o machado a trabalhar”

E “O crepúsculo no campo é tão bonito
Que até Deus se debruça pra olhar."


Quem cria motes assim
E os glosa qual você faz
Por mais que tenha vivido
Tem que viver muito mais
Pra continuar brilhando
Sendo aplaudido e criando
Prodígios fenomenais.

Lamentando o cenário sertanejo
Quando o sol do verão nos apavora
Você fez uns milagres neste mote
Que quem lê sem chorar, por dentro chora
“O carão que cantava em meu baixio
Teve medo da seca e foi embora”


Criou também um poema
De inspiração desmedida
Neste mote primoroso
Magoador de ferida
“Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida”


Você nunca soltou o cabo liso
Do martelo sagrado da emoção
Fez com ele uma peça genial
Neste mote de rara inspiração
“Quando a gente magoa uma saudade
Incomoda demais o coração”


Que o mundo se coisifique
Todos morremos de medo
Por isso, você que sabe
Do sentimento o segredo
Não pode sair de cena
Bote mais tinta na pena
Não diga adeus nem tão cedo.

Quando Zé Marcolino despediu-se
E o nordeste ficou de alma enlutada
Amargando a saudade imorredoura
Você disse exprimindo a dor de cada
“A estrada matou quem escreveu
O mais belo poema da estrada”


Conquistando os corações
“Devagar, devagarinho”
Você foi duplo gigante
No gabinete e no pinho
Por isso a gente não sai
“Das curvas do seu caminho”

Eis aqui outra prova incontestável
De grandeza e de sensibilidade
Você disse aos que a vida condenou
A viverem sofrendo atrás das grades
“Uma gota de pranto molha o riso
Quando o preso recebe a liberdade”


Parabéns Manoel Filó
Por teu menino primeiro
Dois mil e cinco, o segundo
Dois mil e seis, o terceiro
E espero que Deus consinta
Que aos cem em dois mil e trinta
Você faça o derradeiro!

Dedé Monteiro, Tabira, 28 de Março de 2004.

Nesses motes genais, bem destacados por Dedé Monteiro, o poeta, FilóSofo e meu padrinho, Manoel Filó deixou dito:

Quem já teve um amor antigamente
E com ele fez muitas brincadeiras
Casamento francês pelas fogueiras
Brincadeira de anel pelo batente
Hoje, de tudo estando ausente
Pra se ter a maior recordação
Basta ter numa noite de São João
Brinquedos da mesma qualidade
Quando a gente magoa uma saudade
Incomoda demais o coração


Quem viveu um amor intensamente
Quem curtiu, quem amou, sorriu, sofreu
Quando vê q'esse amor não é mais seu
Não vê mais nem futuro nem presente.
No lugar de um sorriso encandescente
O semblante tem outra posição
A lembrança "Piníca" o coração
Tudo vira completa insanidade
Quando a gente magoa uma saudade
Incomoda demais o coração


Manoel Filó
13.10.1930 - 21.08.2005

Fonte: Associação dos Servidores do Poder Judiciário de Pernambuco
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