quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O amanhecer do sertão - É diferente demais...

O Poeta Wélio César, deu o mote:

O amanhecer do sertão
É diferente demais...

O Poeta Wellington Vicente, versejou:

O corneteiro de penas
Toca alegre a alvorada
O nambu pia saudoso
Numa moita na baixada
E o sol chega e expulsa
As sombras da madrugada.

Numa cerca de arame
Tiziu faz acrobacia,
Um cachorro desembesta
Farejando uma cotia
E a patativa canta
Louvando o raiar do dia.

Um canário cantador
Faz sua vez de artista
Canta pra outro canário
Que ali por perto avista
Parecendo um desafio
De poeta repentista.

Vê-se um galo de campina
Na copa do umbuzeiro 
Um bem-te-vi solta um grito
Imitando um mensageiro
E a sua roupa amarela
Nos faz lembrar o carteiro.

A ema grasna distante
O punaré sai da loca
A galinha chama os pintos
Pra comerem uma minhoca
E o roceiro assobia
Entretido na destoca.

No curral um bezerrinho
Apoja o peito da vaca
Um anum pula inquieto
Na cabeça duma estaca
E um moleque confere
O que tem na arataca.

As ovelhas se encostam
Numa cerca de aveloz
Comendo os brotos, nem sentem
O efeito do leite atroz
Na mata que ainda resta
Tem música de curiós.

Seguindo em fila indiana
Ovelhas seguem ligeiro
Para comerem o capim
Que cresce junto ao barreiro
No cume da serra ecoa
O aboio do vaqueiro.

Um cuscuz bem fumegante
Incensando o ambiente
Queijo de coalho na brasa
Um bule com café quente
São as coisas mais comuns
Naquela terra da gente.

Tantas imagens guardadas
Como se fossem postais
Que estão na minha mente
E nem o tempo desfaz
Digo a você, meu irmão:
- O amanhecer do sertão
É diferente demais!

Poeta Wellington Vicente
Porto Velho, 23.10.2011

Fonte: Blog do Poeta Belmontense

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nauta Inspiração

A procela voraz da inspiração
Faz mover-se na minh’alma poeta,
Tempestades com ondas inquietas
Sobre o azul do profundo coração.
Treme o mastro gigante da emoção
Nos abrolhos do peito enlouquecido.
Lindos peixes do verso colorido
Dão mergulhos nas águas do sentir,
Pra depois numa estrofe ressurgir
Um poema que vivia escondido.

Lindas ostras do coração poético
Sutilmente me tocam no profundo;
Vejo imagens surgirem num segundo
Desenhando meu espírito estético.
Uma verve sutil do corpo atlético
Faz mover sentimentos abissais
Alguns versos são cores dos corais,
Entre as águas revoltas da poesia
Despertando meu mundo de magia
Transparentes iguais alguns cristais.

Arrecifes mordazes do sensível
São os portos do coração aedo;
Entre as águas do verso meu segredo
Faz minha alma ficar mais acessível.
O meu estro se torna bem visível
Na bandeira feliz do sentimento,
Um poema demonstra o monumento
De verdade, ternura e sutileza,
Aumentando a viagem da beleza
No veleiro sutil do Nascimento.

As imagens nas águas do oceano
São sereias do peito desvendado,
Que mergulham no verso delicado
Entre as cristas do coração humano.
O veleiro não sente o desengano
Nas procelas da verve enlouquecida
A minha alma reserva uma guarida
Na viagem revolta dos sentidos
Onde vivo meus sonhos esquecidos
Sobre os mares poéticos da vida.
Poeta Gilmar Leite

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um sonho que tive - Brás Costa

Eu ontem sonhei que estava
Na cozinha lá de casa
Comendo um prato de fava
Com carne assada na brasa
Quem é que diz que não presta
Feijão com "Arroz de Festa"
Batata-Doce, pirão
Tutano de "Corredor"?
Chega da um "Suador"
Que o suor pinga no chão.

Na janta xerem com leite
Ou o resto do almoço
"Não coma e logo se deite"
Mãe me adverte e eu ouço
Mas "inda" tenho apetite
E pai me faz um convite
E eu aceito sem frescura:
Na mão de pai e na minha
Um "Punhado" de farinha
E um "Taco" de rapadura.

Tendo um relógio que marque
Seis horas ou pouco mais
Se espalha um cheiro de charque
Aí ninguém dorme mais
À mesa, pai, mãe e filho
Dividem um pão-de-milho
Coalhada, bolo, café
E a metade de um queijo
Mas só sendo sertanejo
Pra saber isso o que é.

Parecia estar sentindo
Aquele gosto sem par
Meus olhos foram se abrindo
Comecei a despertar
Que desespero medonho
Pois percebi que era um sonho
Voltei pra realidade
Onde o sabor é distinto
E o gosto que agora sinto
É somente o da saudade.

Tem nada não, deixe estar
Que se Deus me permitir
Quando essa "Chuva" passar
Eu já sei pra onde ir
"Ajunto" aqui meus "Piquai"
E de "Mai" para "Abri"
"Arribo" pra meu sertão...
Oh! Que coisa pra não dar certo
É camelo sem deserto
E matuto sem feijão.

Do Padroeta Brás Costa, Lugano 04.10.2006

domingo, 23 de outubro de 2011

Biu de Crisanto, Saudade em terra alheia

A saudade que mais maltrata a gente
Quando a gente se acha em terra alheia
É ouvir um trovão para o nascente,
Numa tarde de Março,  às 4 e meia.


Poeta Biu de Crisanto

Coração de mulher

Proseando no Facebook, o Poeta Paulo Matricó sapecou esse verso:

Ah! Coração de mulher?
Inútil tentar endender!
Terras de muitas lonjuras
Difíceis de percorrer.
Surge uma linda paisagem
Mas no deserto, a miragem
Desfaz-se, deixa de ser!



O Poeta Maviael Melo, percorreu a ideia com essa outra:


Esse tão sublime ser
De dotes tão magistrais
É a imagem do amor
Nas formas mais naturais
Estrada de encantamento
Nas trilhas do pensamento
Compreendê-lo é demais!



E isso se deu, com poetas em tirinete, investigando os mistérios, do coração da mulher...

Pedro Torres

sábado, 22 de outubro de 2011

Um dia inteiro

Se de manhã, a poesia te aquece
E um brilho de sol te ilumina
À tardinha, sob ares de neblina,
Achega-se um frio, e te anoitece!

E amanheces sem sequer vontade
De mirar à vastidão da campina.
Mas eis que uma lágrima cristalina
Vem e alaga a tua vista de saudade...

Aí, abate-se o dia, o sol se esconde,
Perdem-se os porquês, não sabes aonde,
E todos dormem...

Rasga as tuas palavras!
Espreme essa ferida!
Liberta dos teus poemas
Um exasperar-se de vida!

Pedro Torres

Sonho de Sabiá

Publico esse verso de Cancão, poeta lá do meu sertão do Pajeú, em agradecimento pela classificação do Decanto de Poetas para o 2º Turno do Prêmio Top Blog 2011.

Somos Finalistas, contribua com seu voto!

Um sabiá diligente
Voou pela vastidão
Mas por inexperiente
Caiu em um alçapão
Depois de aprisionado
Ficou mais martirizado
Pensando no seu filhinho
Implume, sem alimento,
Exposto à chuva e ao vento
Sem poder sair do ninho

Deram-lhe por seu abrigo
Uma pequena gaiola
Num casebre de um mendigo
Que só comia de esmola
Só vivia cochilando
Com certeza imaginando
Sua liberdade santa
Ia cantar, não podia,
Que sua voz se perdia
Logo ao sair da garganta

Tornou-se a pena cinzenta
Em seu profundo castigo
Na saleta fumarenta
Da casa do tal mendigo
Sempre triste, arrepiado,
Nesse viver desolado
Ia um mês, vinha outro mês,
Assim completou um ano
Sentindo o seu desengano
Nunca cantou outra vez

Dormindo, uma tarde inteira
O pobre do passarinho
Sonhou que ia à palmeira
Onde tinha feito o ninho
Olhava, em frente, as campinas
Via por trás das colinas
A natureza sorrindo
Ao sentir a liberdade
Pensou ser realidade
Sem saber cantou dormindo

Depois, sonhou que voltava
À terra dos braunais
Por onde sempre cantava
Junto a outros sabiás
Pousava nas laranjeiras,
Passava nas ribanceiras
Olhando o clarão do dia
Voava por sobre o monte,
Voltava a beber na fonte
Que toda manhã bebia

No sonho via as favelas
Criadas nos carrascais
Voou, baixou, pousou nelas
Cantou os seus madrigais
Voltou, e colheu orvalhos
Que gotejavam dos galhos
Dos frondosos jiquiris
Contente, abriu a plumagem,
Pra receber a bafagem
Das manhãs do seu país

Foi à terra dos palmares
Atravessou toda a flora
Cantou por todos lugares
Que tinha cantado outrora
Passou pelos mangueirais
E com outros sabiás
Cantou sonora canção
O seu som melodioso
Estava mais pesaroso
Devido a sua emoção

Viu a vinda do inverno
Nos quadrantes da paisagem
Ouviu o sussurro terno
Do bulício da folhagem
Cantava pelo arrebol,
Com o brilho morno do sol
Morrendo nos altos cumes
Sentia, quando cantava,
Que seu coração chorava
Com mais tristeza e queixumes

Sonhou catando semente
Num campo vasto e risonho
Se sentia tão contente
Que sonhou que fosse um sonho
Olhava pra vastidão
Sentia no coração
Um regozijo profundo
Todas delícias sentia
Às vezes lhe parecia
Vivendo fora do mundo

Atravessou os verdores,
Passou por entre as searas,
Cantou pelos resplendores
Das manhãs frescas e claras
Passou por um campo vago,
Bebeu das águas de um lago,
Pousou em um arvoredo,
Entrou em um bosque escuro,
Aí sonhou um futuro
Tão triste que teve medo

Depois, sonhou que estava
Trancado numa gaiola
Ouvindo alguém que cantava
Na porta, pedindo esmola.
Ao despertar de momento
Reparou seu aposento,
Ouviu falar o mendigo
Fechou os olhos pensando
Sentiu seu íntimo chorando
No rigor do seu castigo.

Ainda em vão procurava
Sair daquela prisão
Seu olhar denunciava
Piedade e compaixão
Ao pensar na liberdade
A mais pungente saudade
Devorava o peito seu
Assim, o cantor da mata,
Ferido da sorte ingrata,
No outro dia, morreu.

João Batista de Siqueira, Cancão.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ao poeta Antonio Pereira

O Poeta Antônio Pereira uma dia aconselhou:

Quem quiser plantar saudade,
Escalde bem a semente
E plante na terra seca
Em dia de sol bem quente,
Pois se plantar no molhado,
Ela nasce e mata a gente..

Vivendo lá longe nas europas, com um cadinho de saudade do seu sertão que quer tanto bem, o Padroeta Brás Costa, respondeu do jeito que se dá:

Ao poeta Antonio Pereira

Caro poeta, confesso, não segui corretamente
O seu poético conselho e não plantei a semente
Ao invés de escaldá-la
Eu preferi não plantá-la
Pensando que a evitasse
Mas para surpresa minha
Na cova do amor qu'eu tinha
Um pé de saudade nasce...

É, meu poeta, a saudade nasce sem ninguem plantar
E quanto a sua semente, é mesmo inutil escaldar
Mesmo que escalde a semente
Que a plante em terreno quente
E que não chova um sereno
Como pé de carrapicho
Ela faz esse capricho
Nasce e alastra o terreno.

Mas, obrigado poeta, pelo conselho no verso
Não se ofenda se eu sigo um caminho diverso
Vou plantá-la num baxio
Perto das margens dum rio
Onde a terra é irrigada
Já que eu não posso com ela
Vou assim vivendo dela
Pra morrer dessa danada.

Brás Costa, Górdoba, outubro de 2011.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Que país é esse?

"O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus".

Oswald de Andrade

sábado, 8 de outubro de 2011

Dos problemas

O que seriam das soluções, se não fossem os problemas?...

Pedro Torres