segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Bons dias...

"Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento."

Camilo Castelo Branco

sábado, 24 de dezembro de 2011

Fumaça

Untam-se os instrumentos,
A música logo renasce...
Tanto de mim se foi... Na fumaça...
Que breve o momento passa!

Misturam-se os sentimentos,
Beijo a tua face, e amigos...
Ficamos até a sentir... Depois do tempo próprio
Em descumprir o velado, que arde...

Descortinamos o sentido da tarde!
E, de abertas as janelas algo nos invade.
Sentimos o cheiro da acolhedora chuva
E nos acena o pão, e a geléia de uva.

Tanta a saudade dessa dor doída
Da delícia da tua mordida
De na minha carne a tê-las,
Que a descoberto, vejo estrelas!

Inda cego pela pobreza, do querer riqueza.
Segue caminhando as suas veredas
E, esperando nada, tampouco, a sorte!
Estaria, pois, a planejar-lhe a morte.

Mas não morre o que já morreu
Nem se queda sem azar a lida
Expulsando do peito toda a delícia
De sentir-se nada mais, que nada.

Enfim, lembrar-se do que não finda
Tomas doutros cálices, outra medida
Apanhar as flores do campo perfumado
E sentir a brisa suave do campo iluminado.

Crer no além do que ora se apresenta
Tentar, tentar, como quem tenta
Encontrar a dita felicidade
Quem inda não acolheu em si a vida.

Dá-me uma bússula, sê meu norte
Guia-me pela escudidão de meu eu
Sê a mescla do mel e do sal
A estrela guia do meu cizento céu!

Clareia a minha visão obscurecida
Dá-me de beber da tua melhor bebida
Permitas-me observar o horizonte
E matar a sede em tua fonte.

Pedro Torres

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal do nosso Salvador

Ó Deus-menino, nascido
Onde não nascem os reis,
Que os homens hoje encontrem,
A riqueza que escondeis
Entre os maltrapilhos panos,
Que são, na verdade, enganos
Camuflando a Realeza
Da mais alta Majestade.
Consoladora ironia:
Sair de uma estribaria
Pra salvar a humanidade.

E vós, Maria, menina
Do sim e da humildade,
Vosso Salvador nasceu
Na vossa maternidade!
Vosso ventre virginal,
Sem pecado original,
Revestido de pureza,
Gerou quem não foi Criado.
Depois de muitos cansaços,
Vistes ressonar nos braços
Vosso Deus Verbo encarnado!

E vós, José, homem justo,
Vós que esperáveis o Bem,
Descendente de Davi,
Da cidade de Belém;
Ó filho contemplativo,
Fostes o pai putativo
Do Autor da natureza,
O Filho do Pai eterno.
Aquele menino Santo
Recebeu o acalanto
Do vosso abraço paterno.

E vós, ó homens de bem,
Amados do vosso Pai,
Não passais indiferentes,
O presépio contemplai!
Permiti, pois, que este infante
Sem riqueza exuberante,
Disfarçado de pobreza,
O redentor das nações,
Aproxime-se com jeito,
Aloje-se em vosso peito,
Nasça em vossos corações!

Pe. Brás Costa, Natal do nosso Salvador, 2010

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O construtor de repentes, Louro Branco


Ontem o Poeta Felisardo Moura nos presenteou com esse versinho:

O verso que faço é caro
Pelos metais que arranjo,
Se o verso atrasar eu tanjo,
Se o verso correr eu paro;
Se ficar grande eu aparo
Pra peça não ser comprida,
Se ficar curta e perdida
Boto uma emenda na frente
Sou construtor de repente
Nas oficinas da vida!

Poeta Louro Branco

sábado, 17 de dezembro de 2011

Ne me quitte pas*

Eu que sou 100% isento de chifre, hoje escrevi um verso de corno! O publico desejando que não sirva nunca aos meus amigos e amigas, mas, se por desventura acontecer, lhes console a certeza de que o clube é grande! Aí o batizei com um título em francês, por que já que é pra ser corno, vamos pelo menos ser finos!

Ne me quitte pas*

Mesmo que teus olhos vivos
Não procurem mais os meus
Mesmo com ou sem motivos
Não pronuncies Adeus!!!

Deixes meus lábios cativos
Sem poder tocar os teus
Deixes que teus "nãos" nocivos
Matem os meus "sins" plebeus.

Não precisas nem sorrir
Deites só para dormir
Se eu te velo, não te queixes.

Mesmo que minh'alma chore
A desdenhe, a ignore
Mas te peço: Não me deixes.

*Ne me quitte pas é o título de uma famosa canção de Jacques Brel escrita em 1958 e gravada a primeira vez em setembro de 1959. Ao contrário do que muitos pensam o compositor é belga e não francês, já que como sabeis, os dois paises falam a "lingua da diplomacia".

Brás Costa

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ledo engano...

Mesmo tendo me dito que esqueci
E fingindo total indiferença
Na verdade meu eu ainda pensa
Que teu tu, mesmo ausente, está aqui...
Estes anos, sem nós, eu só vivi
Remoendo a tristeza do teu não.
Quase morto cheguei a conclusão
Que dizendo esqueci, o meu eu mente...
Eu não posso esquecer completamente
O amor que inda doi no coração.

Poeta Brás Costa, no mote da Poeta Mariana Teles.

Pagando motes...

Poeta Lourival Batista 'pagando' um mote do Poeta Raimundo Asfora:

Senti das paixões abalos
E desesperos medonhos
Sonhos, sonhos e mais sonhos
Sem jamis realizá-los
Na fronte senti os halos
Das auras da juventude
Mas nunca tive a virtude
De dormir entre dois seios
Não tive amores, sonhei-os
Mas possuí-los, não pude.

Ainda 'pagando' um mote antigo, versejou:

Do gosto para o desgosto
O quadro é bem diferente
Ser moço é ser sol nascente
Ser velho é ser um sol posto
Pelas rugas do meu rosto
O que fui hoje não sou
Ontem estive, hoje não estou.
Que o sol ao nascer fulgura
Mas ao se pôr deixa escura
A parte que iluminou.

E respondendo um cantador que despontava à sua fama, disse:

Sua vida inda está boa
A minha é que está ruim
A sua está no princípio
A minha está bem no fim
Estou perto de estar longe
De quem está perto de mim

Poeta Lourival Batista

Eu quero teus seios puros...

No mote do Poeta Raimundo Asfora:
"Eu quero teus seios puros / Na concha das minhas mãos."

Versejou o Poeta Job Patriota:

Esses teus seios pulados
Nossos olhos insultando
São dois carvões faiscando
No fogão dos meus pecados
São dois punhais aguçados
Ameaçando os cristãos
Mas pros meus lábios pagãos
São dois sapotis maduros
"Eu quero teus seios puros
Na concha das minhas mãos."

As quadro velas

Quatro velas ardiam sobre a mesa,
E falavam da vida e tudo o mais.
A primeira, tristonha: “Eu sou a PAZ,
Mas o mundo não quer me ver acesa…”

A segunda, em soluços desiguais:
“Sou a FÉ! Mas é triste a minha empresa:
Nem de Deus se respeita a Realeza…
Sou supérflua, meu fogo se desfaz…”

A terceira sussurra, já sem cor:
“Estou triste também, eu sou o AMOR…
Mas perdi o fulgor como vocês…”

Foi a vez da ESPERANÇA – a quarta vela:
“Não desiste ninguém! A Vida é bela!
E acendeu novamente as outras três!

Obra prima do Poeta Dedé Monteiro 

Dois repentes

Dois poetas decantando a poesia:

Depois que a lua se esconde
Nasce o sol da cor de ouro,
Duas casacas-de-couro
Começam a cantar na fronde,
Uma grita, outra responde,
Como nós na cantoria,
Só não tem mais poesia
Porque não cantam rimando,
Canta o galo anunciando
O raiar de um novo dia.

Poeta Sebastião Dias Filho 

E disse o Poeta Jó:

Tristeza, dor, alegria
É tudo do mesmo tanto
Felicidade completa
Sé existe em quem é santo
Que em cada gole de riso
Há cem mil doses de pranto.

Job Patriota

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ondas de pensamentos...

O Poeta disse:

Que ondas de pensamentos
Invadem a sua alma,
Fazendo perder a calma,
Transbordando sentimentos?
... Serão apenas momentos
De tudo que se passou?
O poeta perguntou,
Mas a resposta eu não dei:
“Que sei eu do que serei,
Eu que não sei o que sou?”.


Marcos Passos
Recife, Dezembro de 2011

Tem que gostar do sertão...

"Tem que gostar do sertão
Pra saber isso o que é..."


Rebôco, troço, poleiro
Arupenba e caitatau
Gamela, cocho, girau
Terra frouxa e taboleiro
Enxadeco, marmeleiro
Caçuá e jereré
Caco, enxada jacaré
Moinho e mão-de-pilão.

Carne-se-sol e moela
Passoca, queijo, qualhada
Sarapatel e buchada
Arroz-de-festa e costela
Pão, galinha cabidela
Farinha seca e café
Perua, frango, guiné
Tutano, osso e pirão.

Mancha, toca, carrocel
Eram diversões da gente
Chibata ou corrêa quente
A brincadeira do anel
Pipa voando no céu
Traque, rojão, buscapé
Brincávamos em São José
De ser polícia e ladrão.

Cancão, Dimas e Xudù
Catôta, Otacilio e Jó
Biu, Antonio Piancó
E Louro do Pajeú
Sobrinho, Zezé Lulú
Patativa do Assaré
Marinho de São José
Milanês e Mergulhão.

Missa, novena e reizado
Terço, rosário, sequência
Reza, bendito, exelência
Promessa e santo roubado.
Pau-de-arara lotado
De gente pra Canidé
E os romeiros a pé
De Padre Cícero Romão.

Com muita saudade de todos,

Poeta Brás Costa.

Depois da estiagem...

Depois de nove meses de estiagem
Sem mais verde nem mesmo no baixio
Não tem água na nascente do rio
Tá rachada a parede da barragem
Sertanejo já quase sem coragem
Ouve um som no telhado (é o sofejo)
De uma nuvem cantando no despejo
No velório da morte do verão:
Quando um pingo de chuva molha o chão
Enche d’água o olhar do sertanejo

Padroeta Brás Costa

A dura vida de um poeta...

Quando a vida se faz dura
Com as peripécias dela
Eu seguro no cabresto,
Passo a perna e monto nela
Olho pra frente e prossigo
Quando ela é dura comigo
Eu sou mais duro com ela!

Padroeta Brás Costa

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Coisas "Sem Futuro..."

Pedir esmola pra dois,
Tomar partido em intriga,
Negociar com cigano,
Matar gato, apartar briga,
Confiar em candidato,
Investir em rapariga.

Poeta Wellington Vicente.Porto Velho, 14 de março de 2009

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quando começei a gostar de cantoria...

No mote do Poeta Felisardo Moura, versou o Padroeta Brás Costa:

Tinha nem onze anos de idade
Quando ouvi dois poetas inspirados
Soluçarem, tão bem metrificados
E falarem de dor e de saudade.
Comoveu-me foi a simplicidade
Do lugar onde ouvi a melodia
Uma casa de taipa e de poesia
Numa noite de lua, verso e nada...
Numa casa de taipa rebocada
Comecei a gostar de cantoria.

E assim arrematou o Poeta Paulo Moura

Foi meu pai quem mostrou-me a beleza
Da canção recitada com viola
Eu, menino, larguei de vez a bola
E vivi a escrever versos na mesa
Aprendi a conter minha tristeza
... Colocando minhas dores na poesia
Mas foi numa casinha que eu um dia
Fiz contatos com a glosa encantada
Numa casa de taipa abandonada
Comecei a gostar de cantoria.
 
Grande momento da prosa sertaneja brasileira.
 
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prosa Sertaneja

Pra se falar dessa poesia popular
Pra investir nas rimas do pensamento
E estender nossa cultura pelo vento
Basta uma prosa boa a se espalhar
Pelos batentes dessa gente a cochichar
Ser o cantar numa manhã passarinheira
Dialogar entre os brincantes pela feira
Formando o tempo que ponteia o improviso
Entre os gracejos pelas noites sem aviso
Cadenciando nossa canção estradeira 

Que sonoriza as palavras que se soltam
Harmonizando os delírios andarilhos
Pra entender que buscar força nos filhos
É aprender que alguns caminhos voltam
Juntam-se a nós e com versos nos escoltam
Querendo apenas que a gente não se cale
Não tem tropeço que a essa poesia abale
Pois ela tem a rima da nossa terra
Queremos paz, sem que se precise a guerra
E quem tiver de ser poesia não se cale 

Talvez assim essa mistura se combine
Pelos valores que norteiam a esperança
No Cirandar dessa semente que avança
Ser o direito que permite onde se opine
E quem tiver seu instrumento, logo afine
Vamos cantando por aí sem ser refrão
Compartilhando como quem partilha o pão
Ser o sorriso estampado, sem ser moda
Nossa palavra é de aço e ninguém poda
Viva a poesia popular do meu Sertão.

Confessor: Poeta Maviael Melo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bom também, mas...

Não é que eu não aprecie
Toda cultura aramaica,
Não estude a língua hebraica
E não respeite a Torah.
É que essa cultura rara
Nem de longe se compara
A uma farra no Maitá.

Adoro a cultura grega
Polis, politica e idea
Ilíade e Odissea
ue Homero imortalizava.
Mas troco Zeus e Platão
Numa sopa e num "latão"
Lá em Maria da fava.

Leio cultura romana
Poetas, imperatores,
Politicos, gladiadores
Cidade eterna, imortal.
Mas, invés de ler Virgilio
Prefiro ouvir Otacilio
Com Dimas e Lourival.

Os belos alpes Suíços
A Orquestra de Viena
Tudo isso vale a pena
E eu os vi de pertinho
Porém, tudo eu trocaria
Para ouvir a voz de Bia
E o fole de Luizinho.

Na europa tem de tudo
Tem lugar rico e bonito
Mas São José do Egito
Não sai do meu pensamento.
Lá na casa dos meus pais
Não sou doutor eu sou Brás
La eu sou eu cem por cento.

Poeta Brás Costa,
Lungano 02.12.2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Setelinhas

Brás Costa

Vivo como um passarinho
Que quer cantar e não canta.
Quando vai nascendo um verso
Vem a saudade o suplanta.
Antes de nascer direito
Ou morre dentro do peito
Ou se entala na garganta.

Jessé Costa

Essa conversa me espanta
Fico mesmo abestalhado
Pois se teu verso que sai
Todos faz admirado
Esse teu verso que entala
Se um dia sai, abala
E deixa o mundo virado!

Felipe Júnior

Mesmo bem metrificado,
Os versos que vem de Brás,
Tem a coerência exata
Que se iguala aos geniais;
Faz com sentimentalismo,
Com força e com dinamismo,
Versos que a gente não faz.

Michael Moreira

Isso é por que meu amigo,
Um passarinho não canta
Morando longe do "ninhô"
A saudade lhe espanta
Mais volte logo pra casa,
Que essa distância atrasa
A inspiração que é tanta

Pedro Torres

Essa vida de gaiola
Brás, eu sei bem o que ela é!
É dor que se agiganta
Dando um abalo de fé.
Essa tormenta é tanta,
Que trava verso, não canta,
O poeta de São José.

Peleja em andamento!...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Dias das Mães

Mãe! Eu volto a te ver na antiga sala
Onde uma noite te deixei sem fala
Dizendo adeus como quem vai morrer.
E me viste sumir pela neblina,
Porque a sina das mães é esta sina:
Amar, cuidar, criar, depois... Perder.

Perder o filho é como achar a morte.
Perder o filho quando, grande e forte,
Já podia ampará-la e compensá-la.
Mas nesse instante uma mulher bonita,
Sorrindo, o rouba, e a velha mãe aflita
Ainda se volta para abençoá-la

Assim parti, e nos abençoaste.
Fui esquecer o bem que me ensinaste,
Fui para o mundo me deseducar.
E tu ficaste num silêncio frio,
Olhando o leito que eu deixei vazio,
Cantando uma cantiga de ninar.

Hoje volto coberto de poeira
E te encontro quietinha na cadeira,
A cabeça pendida sobre o peito.
Quero beijar-te a fronte, e não me atrevo.
Quero acordar-te, mas não sei se devo,
Não sinto que me caiba este direito.

O direito de dar-te este desgosto,
De te mostrar nas rugas do meu rosto
Toda a miséria que me aconteceu.
E quando vires e expressão horrível
Da minha máscara irreconhecível,
Minha voz rouca murmurar: ''Sou eu!"

Eu bebi na taberna dos cretinos,
Eu brandi o punhal dos assassinos,
Eu andei pelo braço dos canalhas.
Eu fui jogral em todas as comédias,
Eu fui vilão em todas as tragédias,
Eu fui covarde em todas as batalhas.

Eu te esqueci: as mães são esquecidas.
Vivi a vida, vivi muitas vidas,
E só agora, quando chego ao fim,
Traído pela última esperança,
E só agora quando a dor me alcança
Lembro quem nunca se esqueceu de mim.

Não! Eu devo voltar, ser esquecido.
Mas que foi? De repente ouço um ruído;
A cadeira rangeu; é tarde agora!
Minha mãe se levanta abrindo os braços
E, me envolvendo num milhão de abraços,
Rendendo graças, diz: "Meu filho!", e chora.

E chora e treme como fala e ri,
E parece que Deus entrou aqui,
Em vez de o último dos condenados.
E o seu pranto rolando em minha face
Quase é como se o Céu me perdoasse,
Me limpasse de todos os pecados.

Mãe! Nos teus braços eu me transfiguro.
Lembro que fui criança, que fui puro.
Sim, tenho mãe! E esta ventura é tanta
Que eu compreendo o que significa:
O filho é pobre, mas a mãe é rica!

O filho é homem, mas a mãe é santa!
Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,
Mas que me beija como agradecendo
Toda a dor que por mim lhe foi causada.
Dos mundos onde andei nada te trouxe,
Mas tu me olhas num olhar tão doce
Que, nada tendo, não te falta nada.

Dia das Mães! É o dia da bondade
Maior que todo o mal da humanidade
Purificada num amor fecundo.
Por mais que o homem seja um mesquinho,
Enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho
Cantará a esperança para o mundo!

Poeta Giuseppe Ghiarone, destacado pela Poeta Priscila Filó

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dom

Só quem tem dentro do peito
Uma alma inrrequieta
E dois pés que vão em frente
Mesmo sem saber a meta
Quem é são e faz loucura
Sabe o amargo e a douçura
De ter nascido poeta.

Brás Costa.

domingo, 27 de novembro de 2011

Dimas Batista

Quando um dia, poeta, não puderes
Externar esse canto que insinuas
Quando a ausência de todas as mulheres
Encher de tédio a solidão das ruas

Quando o tempo passar, e tu morreres
E o povo recitar as canções tuas
Quando a cinza dos versos que escreveres
Vestir de chama as consciências nuas

Quando chegar o fim das tuas metas
Quando faltar a todos os poetas
A inspiração constante que te ocorre

Quando a taberna não tiver mais vinho
Teu violão há de chorar sozinho
Essa morte incomum de quem não morre.

Poeta Dimas

DOIS COQUEIROS - CANCÃO

Testemunhas seculares
Do outro lado do rio
Rumor das brisas lunares
Nas calmas noites de estio
Foram vigias de feras
Venceram eras e eras
Se tornaram centenários
Os seus bulícios tristonhos
Tinham a doçura dos sonhos
De mil poemas lendários.

Com prazeres recebiam
O pequeno rouxinol
Eram os primeiro que viam
A face alegre do sol
Sentiram as mesmas mágoas
Beberam das mesmas águas
Queimados do mesmo pó
Colheram o mesmo sereno
Viveram num só terreno
Nasceram num dia só.

Com todo viço aumentaram
As duas plantas vizinhas
Em pouco tempo chegaram
Ao mundo das andorinhas
Neve, chuva e cerração
Frio, sereno e verão
Nada disso o atingiram
Vencedores das idades
Nem as próprias tempestades
Tempo algum lhes aluíram.

Nas brisas que perpassavam
Brandas ou mais violentas
Eles os dois conversavam
Numas frases barulhentas
Receberam temporais
Deslocamentos fatais
Por brusco arrojo dos ventos
Viveram nestes combates
Lutando contra os embates
Da força dos elementos.

Assim aqueles coqueiros
Cheios de viço e enganos
Se tornaram dois guerreiros
Foram lutar contra os anos
Um ao outro em homenagem
Nos bafejos da aragem
Estendiam a palha sua
Cada fronde, verde e bela
Conservava uma parcela
Da luz serena da lua.

Suas palhas sussurrantes
Continham graça e beleza
Dois monstruosos gigantes
Criados da Natureza
Desde a fronde às raízes
Todas suas cicatrizes
Foram profundas feridas
Cada marca, uma história
Uma medalha, uma glória
De cem batalhas vencidas.

Em certos dias marcados
Choveu torrencialmente
Foram os dois abraçados
Por poderosa corrente
Um rodava, outro pendia
A água se remexia
Numa fúria de dragão
O mais fraco, já vencido
Num arrojo desmedido
Caiu sem ter salvação.

Ficou o outro coqueiro
Em meio à corrente, em pé
Como se fosse um guerreiro
Sem esperança e sem fé
Se balançava, tremia
Tombava, depois se erguia
Entre o furor do perigo
E a morrer se dispunha
Como a maior testemunha
Da morte de seu amigo.

No horroroso fragor
Já se mostrava pendido
Sentiu faltar-lhe vigor
Foi ficando esmorecido
A água em borbotão
Fazia revolução
Da superfície à areia
Caiu no mesmo momento
Ao impulso violento
Dos solavancos da cheia.

As grandes vagas caudais
Desciam ligeiramente
Sem ter resistência mais
Se lançou sobre a corrente
O aguaceiro o levou
E junto ao outro deixou
Por um ligeiro desvio
Ficando os dois encostados
Onde estão sepultados
Do outro lado do rio.

João Batista de Siqueira, Cancão. Transcrição textual do livro Palavras ao Plenilúnio.

sábado, 26 de novembro de 2011

Eva e a maçã, no paraíso...

O diabo disse a Eva: "Queres ser igual a Deus?
Coma o fruto proibido e depois os olhos teus
Se abrirão pra tudo veres
E daí os teus poderes
Serão maiores que os meus".

Disse Eva decidida: "Vá de retro santanás
No jardim tem muitos frutos, eu comerei os demais
Só a Deus darei ouvido
E do fruto proibido
Eu não comerei jamais."

Beuzebu ouvindo aquilo, pensou que quase enlouquece
"Que danado irei dizer pra que ela se interesse"?
Já sei!!! -Disse o mau conduta-
"Coma mulher que essa fruta
Além de doce, EMAGRECE!!!!"

Brás Costa

Prospectos

O Poeta Felisardo Moura Nunes trouxe esses versinhos:

Olho e vejo a mão divina
Num botão de flor se abrindo
No berço que uma criança
Sonha com Jesus sorrindo
A mão caçando a chupeta
Que a boca perdeu dormindo.

Do Poeta João Paraibano, e esse outro:

Quando eu era criança
Sem escola em minha terra
Não sabia que as armas
Eram feitas para a guerra
E pra mim o mundo acabava
Do outro lado da serra

Do Poeta Severino Feitosa

E, a Poeta Monique D'Angelo destacou:

Deus impôs ao poeta seus misteres
Desde os passos primeiros à velhice,
Junto ao monte Parnaso, Deus lhe disse:
Eu darei para ti o que quiseres.
Comerás dos poemas que fizeres,
Beberás do teu verso cristalino
Quando a musa afastar-se eu te ensino
A cantar as canções do meu amor,
Cantador de viola é portador
 Desses dons luminosos do Divino.

Poeta Zé Luiz

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Manoel Xudú

O Poeta Eduardo Rabello garimpou essa pedra rara:

Admiro 100 formigas
Um besouro carregando
40 puxa na frente
40 atrás empurrando
E as 20 que vão em cima
Pensam que estão ajudando

Manoel Xudú

Dodó Aragão

A Poeta Priscilla Filó, catou essa quadrinha singela, não sei de que baú de tesouros:

No meu humilde viver
A solidão é tamanha
Que só me falta perder
A sombra que me acompanha.

Dodó Aragão

Sertanejo distante do sertão...

Versos capturados numa peleja que se deu, com amigos no Facebook:

Fernando Marques VC

Sertanejo distante do sertão
É abelha perdida do cortiço
É romeiro sem mais padim ciço
É nordeste sem festa de São João
A tristeza lhe invade o coração
E dos rumos da vida perde o plano
Lá no fundo do peito o desengano
Cada dia que passa mais humilha
Pois se sente igualzinho a uma ilha
Retirada do rio ou do oceano

Wellington Rocha

Sertanejo distante do sertão
É limão que não tem mais o azedo
Virgulino Ferreira tendo medo
De Macaco,tenente ou capitão
É forró e xaxado sem baião
Um vaqueiro sem ter uma montaria
Uma festa que não tem a romaria
Um relogio sem ter os seus ponteiros
Varias flores arrancadas dos canteiros
Violeiro sem ter uma cantoria.

Pepita Lins

Sertanejo distante do sertão
É uma mãe sem tocar a sua cria
É viola sem corda ou cantoria
É é uma veia pulsar sem coração
É o sol que desperta sem clarão
É a APPTA sem verso e sem repente
É um rio estourar sem ter enchente
É alegrar com a dor de uma saudade
É chorar com soluços e vontade
De voltar pra essa terra que é da gente.

Fernando Marques

Sertanejo distante do sertão
É curral sem ter uma porteira
É Dedé sem o seu 'Fim de Feira'
É novena sem fogos e balão
É pecado que não tem perdão
Vacaria sem um bom reprodutor
Hospital sem ter um só doutor
Ter dinheiro sem ter o que comprar
Uma vista sem nada pra olhar
É viver nessa vida sem amor

Pepita Lins

Sertanejo distante do sertão
É não ter mais vontade de viver
É plantar uma roça e não chover
É não ver mais nos olhos ilusão
É o mato não mais brotar do chão
Eu parar de amar na poesia
Jesus Cristo não ser filho Maria
É a "VOZES DO CAMPO" não cantar
É o mundo inteiro não girar
E o palhaço não trazer mais alegria.
E assim vamos vivendo...

Pedro Torres

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Louvando o gênio Filó...

O poeta Jorge Filó, compartilhou em 2005 essa missiva do Poeta Dedé Monteiro, convidando ao lançamento do livro As curvas do meu caminho, de autoria do gênio Manoel Filomeno de Menezes, Manoel Filó, realizando o seguinte aparte:

Manoel Filomeno de Menezes,
Uma vez você disse sem pensar
“Chora o cedro na gruta da floresta
Escutando o machado a trabalhar”

E “O crepúsculo no campo é tão bonito
Que até Deus se debruça pra olhar."


Quem cria motes assim
E os glosa qual você faz
Por mais que tenha vivido
Tem que viver muito mais
Pra continuar brilhando
Sendo aplaudido e criando
Prodígios fenomenais.

Lamentando o cenário sertanejo
Quando o sol do verão nos apavora
Você fez uns milagres neste mote
Que quem lê sem chorar, por dentro chora
“O carão que cantava em meu baixio
Teve medo da seca e foi embora”


Criou também um poema
De inspiração desmedida
Neste mote primoroso
Magoador de ferida
“Todo dia muda a cor
Do quadro da minha vida”


Você nunca soltou o cabo liso
Do martelo sagrado da emoção
Fez com ele uma peça genial
Neste mote de rara inspiração
“Quando a gente magoa uma saudade
Incomoda demais o coração”


Que o mundo se coisifique
Todos morremos de medo
Por isso, você que sabe
Do sentimento o segredo
Não pode sair de cena
Bote mais tinta na pena
Não diga adeus nem tão cedo.

Quando Zé Marcolino despediu-se
E o nordeste ficou de alma enlutada
Amargando a saudade imorredoura
Você disse exprimindo a dor de cada
“A estrada matou quem escreveu
O mais belo poema da estrada”


Conquistando os corações
“Devagar, devagarinho”
Você foi duplo gigante
No gabinete e no pinho
Por isso a gente não sai
“Das curvas do seu caminho”

Eis aqui outra prova incontestável
De grandeza e de sensibilidade
Você disse aos que a vida condenou
A viverem sofrendo atrás das grades
“Uma gota de pranto molha o riso
Quando o preso recebe a liberdade”


Parabéns Manoel Filó
Por teu menino primeiro
Dois mil e cinco, o segundo
Dois mil e seis, o terceiro
E espero que Deus consinta
Que aos cem em dois mil e trinta
Você faça o derradeiro!

Dedé Monteiro, Tabira, 28 de Março de 2004.

Nesses motes genais, bem destacados por Dedé Monteiro, o poeta, FilóSofo e meu padrinho, Manoel Filó deixou dito:

Quem já teve um amor antigamente
E com ele fez muitas brincadeiras
Casamento francês pelas fogueiras
Brincadeira de anel pelo batente
Hoje, de tudo estando ausente
Pra se ter a maior recordação
Basta ter numa noite de São João
Brinquedos da mesma qualidade
Quando a gente magoa uma saudade
Incomoda demais o coração


Quem viveu um amor intensamente
Quem curtiu, quem amou, sorriu, sofreu
Quando vê q'esse amor não é mais seu
Não vê mais nem futuro nem presente.
No lugar de um sorriso encandescente
O semblante tem outra posição
A lembrança "Piníca" o coração
Tudo vira completa insanidade
Quando a gente magoa uma saudade
Incomoda demais o coração


Manoel Filó
13.10.1930 - 21.08.2005

Fonte: Associação dos Servidores do Poder Judiciário de Pernambuco

A vida, quando começa?

"Aos quarenta!"

Disse o Poeta Ciro Filó:

Sentindo o peso dos anos
E abalos na estrutura
Fuçada a carroceria
Envelhecida a pintura
2011 me mostra
Quanto é frágil a criatura

Ciro Filó

Parabéns, por seus 40 completos, vida longa, e feliz nova primavera!

Pedro Torres

domingo, 20 de novembro de 2011

Belo Monte

Se você não quer ver a Usina Hidroelétrica do Belo Monte Construída, desligue todos os seus equipamentos eletrônicos e não assista TV, inclusive, os reclames publicitários doidivanas, sem fundamentos concretos, contra a construção da represa.

Não navegue na internet, muito menos, imprima quaisquer documentos sobre o assunto, pois isso irá gerar demanda por mais energia e, por conseguinte, a necessidade de suprí-la.

Então, se você realmente quer fazer algo, e acredita que sua ação pode mudar alguma coisa, desconecte-se! A começar pelo PC que você está usando agora pra ler esta mensagem.

Desligue a sua TV; Não use o microondas, tampouco, chuveiro elétrico. Quando o sol se puser no horizonte, não utilize nenhum meio de iluminação artificial, pois todas elas, de forma direta ou indireta, requerem eletricidade para que existam.

Assim, não compre, ou utilize, nada que careça de energia elétrica para sua confeção; Se manufaturados, exija que todas as matérias primas empregadas sejam renováveis, ou que não haja produtos industrializados na sua composição.

Porém, se você considera essa postura não mais que um devaneio, por compreender importante a construção da usina, ou não, compartilhe uma informação verdadeira sobre o assunto, mas, antes de fazê-lo: Informe-se!

















Pedro Torres

Vaqueiro herói

Num dia de vaquejada
Nas quebradas do sertão
Um cavalo preto encosta
Na porteira do mourão
Aguardando o boi Bordado
Na festa de apartação

Abre logo essa cancela
Que o ‘pordo’ quer correr
Sou vaqueiro e minha sina
É fazer o boi valer
E o Bordado vai cair
Quem quiser, pague pra ver

Assim pensava o vaqueiro
O melhor da região
Um moleque bom de gado
Montado num campeão
Aboiando pra donzela
Que ganhou seu coração

“A moça pra ser bonita
Tem que ter pele morena
A cintura bem fininha
E a boca bem pequena
Dessas que a morte mata
E a gente chora com pena”

O vaqueiro herói desfila
Ele, o cavalo e a rês
O boi não volta ao curral
Se lá morrer um dos três
Pra cumprir o seu destino
Sai correndo de uma vez

Êh! Valeu vaqueiro
O seu nome e a sua fama
Se espalhou pelo sertão


Êh! Valeu vaqueiro
A lembrança e a saudade
Dilacera o coração...


Letra da música: Vaqueiro Herói, de nossa autoria, em parceria com o compositor e músico, Poeta Miguel Nascimento.

Pedro Torres
Recife, 2000.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Estrelas do passado

Já errei muito mais do que devia
Hoje estou começando a errar bem menos
Meus deslizes começam a ser pequenos
Bem menores que a ânsia de chegar
Eu sai sem saber como voltar
Eu segui os atalhos do destino
Apanhei pra deixar de ser menino
E hoje apanho tentando não errar

Já andei muitas braças, muitas léguas
Já tive grandes e enormes bons amigos
Tive vários amores, tive abrigos
Tive abalos, caí, me levantei
Tive acasos, perdi, também ganhei
Meus pecados paguei em alto preço
Me perdoe se achar que eu mereço
Se mereço até eu nem mesmo sei

Sei que nada se perdera por completo
Ainda resta um restinho de esperança
Um fiapo, uma nesga de lembrança
De um passado feliz que me marcou
Um poeta, um boêmio, um cantador
Um balcão, uma prosa, uma piada
Um soneto, um repente, uma noitada
E uma canção pelas retinas desabou

Meu desafio pelas léguas caminhou
Fui ferido e feri quem me feriu
E ferindo, a ferida se abriu
Nunca mais suturou, tornou-se chaga
E uma canção de amor me embriaga
Em doses de versos Buarqueanos
E uma bandeira branca em fino pano
Bem no seio de minha alma foi fincada

Foi ficando cada vez mais hasteada
E bem no alto tremula irradiante
Acenando aos poetas mais errantes
Quero paz e o resto a gente enterra
Qualquer mágoa nesse instante se encerra
Meu abraço abre os braços para os teus
E se teus braços chegarem junto aos meus
Eu abraço e nunca mais teremos guerra.

Do palhaço do circo do futuro, Poeta Maciel Melo.

Versos inversos, em tempos perversos...

No tempo das mesmas desesperanças e solidão, poetas escrevem suas metas.

Antes, a entrega insólita, depois, o amanhecer à luz da Divina Providência.

E assim se deu:

- Primeiro, disse do começo ao fim, o Poeta Augusto dos Anjos:

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

- Depois, disse da lida, o Poeta Brás Costa:

Caro Augusto,

Eu também sepultei minhas quimeras
Muitas vezes bebi ingratidão
Passei anos sem ver as primaveras
Oscilando entre outonos e verão.

Também eu, me envolvi de solidão
Naufragado nos mares das esperas
Quase vi minha frágil embarcação
Afundar-se com minhas poucas eras.

Mas contudo, poeta, não me rendo
Não ataco essa vida (nem defendo)
Tem quem luta, e tem quem só almeja!

E assim ponho em risco a minha paga
Afagando essa mão que me afaga
E beijando essa boca que me beija.

Poeta Brás Costa.

Nosso amor da besta-fera

Se não fosse o ser, não era
Se não fosse o tá, não tava
Se não fosse bom, minguava
Nosso amor da besta-fera;
Mas de tão bom se supera
E de tão grande ele alcança
A distância que avança
Nesse chão que nos separa
E de tanto ser, não para
De ter sempre uma esperança.

Esperança na melhora
Num futuro mais sereno
Onde um tempo mais ameno
Tenha mais tempo que agora
Mas enquanto não aflora
A melhora em nossa agrura
Nosso amor inda segura
Tudo quanto é empecilho
Como quem anda no trilho
Do trem que leva a loucura!

Poeta Jessé Costa Belo Jardim, 15/11/2011.

Se decidires voltar...

Se decidires voltar
Entres sem fazer rumores
Não despertes minhas dores
Sei que não vens pra ficar.
No quarto podes entrar
Mas não me olhes sorrindo
E não me jures mentindo
Pois não creio mais em nada:
Entres sem fazer 'zuada'
Que a minha dor tá dormindo.

Poeta Brás Costa.
Górdoba, 15.11.2011

Cutucado pelo Padroeta Brás Costa pra fazer um verso no mote, o Poeta Lima Júnior sacudiu lá do sertão:

Se voltares qualquer dia
Te achegues de mansinho,
É que meu peito é fraquinho
Para tamanha alegria!
E o tecido que cobria
Meu coração, ta puindo
E o que acalentei sentindo
Pode acordar sem razão .
Não faça zoada não,
"Que a minha dor tá dormindo."

Poeta Lima Júnior
Tuparetama, 16.11.2011

E eu presenciando essa peleja de versos magistrais me alegro, e, ainda há quem não encontre a felicidade, nas coisas simples, dos poetas geniais.

E eu, me enxerindo, disse no mote:

Se te bater no juízo
De tu quereres voltar
Venha sem nem me avisar
Mas, não me escondas teu riso.
Pois, é tudo que eu preciso
Pra te receber sorrindo
Mas, eu vou te advertindo
Não faças muito barulho
Sacudindo o teu orgulho
"Que a minha dor tá dormindo."

Pedro Torres

domingo, 13 de novembro de 2011

Zé Cardoso - Ser Doutor...

Aprendi a cantar sem professor
Com a graça de Deus eu sou completo
Você vem me chamar de analfabeto
Exibindo o diploma de doutor
No congresso que eu for competidor
Vou ganhar de você de dez a zero
Seu doutor eu vou ser muito sincero
Se eu deixar de cantar não sou feliz
Ser poeta eu sou porque Deus quis
Ser doutor não sou porque não quero.

Poeta Zé Cardoso.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lei Maria da Penha em cordel...


Divulgação de explêndido cordel do cantor, repentista e arte educador cearense Tião Simpatia!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sorrir e Cantar

Quando falas porque vivo sorrindo
Falas também por viver cantando
Se a vida é bela e se este mundo é lindo
Não há razão para eu viver chorando

Cantar é sempre o que a fazer eu ando
Sorrir é sempre meu prazer infíndo
Se canto e rio, é porque vivo amando
Se amo e canto, é por que vivo rindo.

Se o pranto morre quando nasce o canto
Eu canto e rio pra matar o pranto
E gosto muito de quem canta e rí

Logo bem vês por estes dotes meus
Que quando canto estou pensando em Deus
E quando rio estou pensando em tí.

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eulália

Deixei-a solitária por uns dias,
Enquanto melhorava do ciúme,
E saí pra evitar muitas porfias
Que entre nós se davam de costume.

Nesse tempo eu andava arruinado...
E as brigas entre nós, frequentemente,
Transformavam a abelha do passado
Numa aranha de dor sempre presente!

Então o inseto que fazia, outrora,
Mel de carícias na feliz colmeia,
Vinha fazendo entre nós dois, agora,
O fel da vida - numa horrível teia!

Corri mundos, andei por terra estranha,
Procurando renúncia, esquecimento...
Mais, dia-a-dia, se infiltrava a aranha
Na teia enorme do meu pensamento!

Mandava-lhe presentes de onde estava,
Escrevia-lhe cartas carinhosas
Pedindo que esperasse que eu voltava
E novamente nasceriam rosas...

Mas, uma noite, triste noite, amigo,
Eu entrei num cassino, que amargura!
Ah! Não chores de ouvir o que te digo
Nem te rias da minha desventura!

A sala estava cheia de cinismo
Dos que, no vício, vão matar a sede...
Era um antro de fumo e alcoolismo,
Com visões sensuais pela parede!

Um perfume de bétulas e sândalos
Recendia da carne e sedas finas,
E a luz envergonhada dos escândalos
Parecia tremer sob as cortinas!

A dona do cassino, a abelha-mestra
Do cortiço infeliz, torpe e devasso,
Dava bebida aos maganões da orquestra
E mandava agitar sempre o compasso...

Enquanto os instrumentos gargalhavam
Na frivolência do pagode insano,
Eu distinguia as notas que choravam
Nas cordas ultrajadas de um piano!

Mais tarde, era o intervalo do pecado...
Enquanto a orquestra demorava o ensaio,
A pianista curvando-se ao teclado,
Dedilhava a canção Rosa de Maio...

Era aquela canção - quando partimos -
A que Eulália tocava todo o mês...
Pois foi no mês de maio que nos vimos,
Eulália e eu - pela primeira vez!

Recordação, saudade, sofrimento...
Aproximei-me sem saber por quê...-
Era Eulália que estava no instrumento!
Sim, Eulália... vestida de "soirée"!

Quando me viu, eu vi também seu vulto
Afogar-se nas brumas de um desmaio...
E até hoje em minh`alma um piano oculto
Vive sempre a tocar Rosa de Maio!

Poeta Rogaciano Leite, no seu livro Carne e Alma.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O amanhecer do sertão - É diferente demais...

O Poeta Wélio César, deu o mote:

O amanhecer do sertão
É diferente demais...

O Poeta Wellington Vicente, versejou:

O corneteiro de penas
Toca alegre a alvorada
O nambu pia saudoso
Numa moita na baixada
E o sol chega e expulsa
As sombras da madrugada.

Numa cerca de arame
Tiziu faz acrobacia,
Um cachorro desembesta
Farejando uma cotia
E a patativa canta
Louvando o raiar do dia.

Um canário cantador
Faz sua vez de artista
Canta pra outro canário
Que ali por perto avista
Parecendo um desafio
De poeta repentista.

Vê-se um galo de campina
Na copa do umbuzeiro 
Um bem-te-vi solta um grito
Imitando um mensageiro
E a sua roupa amarela
Nos faz lembrar o carteiro.

A ema grasna distante
O punaré sai da loca
A galinha chama os pintos
Pra comerem uma minhoca
E o roceiro assobia
Entretido na destoca.

No curral um bezerrinho
Apoja o peito da vaca
Um anum pula inquieto
Na cabeça duma estaca
E um moleque confere
O que tem na arataca.

As ovelhas se encostam
Numa cerca de aveloz
Comendo os brotos, nem sentem
O efeito do leite atroz
Na mata que ainda resta
Tem música de curiós.

Seguindo em fila indiana
Ovelhas seguem ligeiro
Para comerem o capim
Que cresce junto ao barreiro
No cume da serra ecoa
O aboio do vaqueiro.

Um cuscuz bem fumegante
Incensando o ambiente
Queijo de coalho na brasa
Um bule com café quente
São as coisas mais comuns
Naquela terra da gente.

Tantas imagens guardadas
Como se fossem postais
Que estão na minha mente
E nem o tempo desfaz
Digo a você, meu irmão:
- O amanhecer do sertão
É diferente demais!

Poeta Wellington Vicente
Porto Velho, 23.10.2011

Fonte: Blog do Poeta Belmontense

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nauta Inspiração

A procela voraz da inspiração
Faz mover-se na minh’alma poeta,
Tempestades com ondas inquietas
Sobre o azul do profundo coração.
Treme o mastro gigante da emoção
Nos abrolhos do peito enlouquecido.
Lindos peixes do verso colorido
Dão mergulhos nas águas do sentir,
Pra depois numa estrofe ressurgir
Um poema que vivia escondido.

Lindas ostras do coração poético
Sutilmente me tocam no profundo;
Vejo imagens surgirem num segundo
Desenhando meu espírito estético.
Uma verve sutil do corpo atlético
Faz mover sentimentos abissais
Alguns versos são cores dos corais,
Entre as águas revoltas da poesia
Despertando meu mundo de magia
Transparentes iguais alguns cristais.

Arrecifes mordazes do sensível
São os portos do coração aedo;
Entre as águas do verso meu segredo
Faz minha alma ficar mais acessível.
O meu estro se torna bem visível
Na bandeira feliz do sentimento,
Um poema demonstra o monumento
De verdade, ternura e sutileza,
Aumentando a viagem da beleza
No veleiro sutil do Nascimento.

As imagens nas águas do oceano
São sereias do peito desvendado,
Que mergulham no verso delicado
Entre as cristas do coração humano.
O veleiro não sente o desengano
Nas procelas da verve enlouquecida
A minha alma reserva uma guarida
Na viagem revolta dos sentidos
Onde vivo meus sonhos esquecidos
Sobre os mares poéticos da vida.
Poeta Gilmar Leite

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um sonho que tive - Brás Costa

Eu ontem sonhei que estava
Na cozinha lá de casa
Comendo um prato de fava
Com carne assada na brasa
Quem é que diz que não presta
Feijão com "Arroz de Festa"
Batata-Doce, pirão
Tutano de "Corredor"?
Chega da um "Suador"
Que o suor pinga no chão.

Na janta xerem com leite
Ou o resto do almoço
"Não coma e logo se deite"
Mãe me adverte e eu ouço
Mas "inda" tenho apetite
E pai me faz um convite
E eu aceito sem frescura:
Na mão de pai e na minha
Um "Punhado" de farinha
E um "Taco" de rapadura.

Tendo um relógio que marque
Seis horas ou pouco mais
Se espalha um cheiro de charque
Aí ninguém dorme mais
À mesa, pai, mãe e filho
Dividem um pão-de-milho
Coalhada, bolo, café
E a metade de um queijo
Mas só sendo sertanejo
Pra saber isso o que é.

Parecia estar sentindo
Aquele gosto sem par
Meus olhos foram se abrindo
Comecei a despertar
Que desespero medonho
Pois percebi que era um sonho
Voltei pra realidade
Onde o sabor é distinto
E o gosto que agora sinto
É somente o da saudade.

Tem nada não, deixe estar
Que se Deus me permitir
Quando essa "Chuva" passar
Eu já sei pra onde ir
"Ajunto" aqui meus "Piquai"
E de "Mai" para "Abri"
"Arribo" pra meu sertão...
Oh! Que coisa pra não dar certo
É camelo sem deserto
E matuto sem feijão.

Do Padroeta Brás Costa, Lugano 04.10.2006

domingo, 23 de outubro de 2011

Biu de Crisanto, Saudade em terra alheia

A saudade que mais maltrata a gente
Quando a gente se acha em terra alheia
É ouvir um trovão para o nascente,
Numa tarde de Março,  às 4 e meia.


Poeta Biu de Crisanto

Coração de mulher

Proseando no Facebook, o Poeta Paulo Matricó sapecou esse verso:

Ah! Coração de mulher?
Inútil tentar endender!
Terras de muitas lonjuras
Difíceis de percorrer.
Surge uma linda paisagem
Mas no deserto, a miragem
Desfaz-se, deixa de ser!



O Poeta Maviael Melo, percorreu a ideia com essa outra:


Esse tão sublime ser
De dotes tão magistrais
É a imagem do amor
Nas formas mais naturais
Estrada de encantamento
Nas trilhas do pensamento
Compreendê-lo é demais!



E isso se deu, com poetas em tirinete, investigando os mistérios, do coração da mulher...

Pedro Torres

sábado, 22 de outubro de 2011

Um dia inteiro

Se de manhã, a poesia te aquece
E um brilho de sol te ilumina
À tardinha, sob ares de neblina,
Achega-se um frio, e te anoitece!

E amanheces sem sequer vontade
De mirar à vastidão da campina.
Mas eis que uma lágrima cristalina
Vem e alaga a tua vista de saudade...

Aí, abate-se o dia, o sol se esconde,
Perdem-se os porquês, não sabes aonde,
E todos dormem...

Rasga as tuas palavras!
Espreme essa ferida!
Liberta dos teus poemas
Um exasperar-se de vida!

Pedro Torres

Sonho de Sabiá

Publico esse verso de Cancão, poeta lá do meu sertão do Pajeú, em agradecimento pela classificação do Decanto de Poetas para o 2º Turno do Prêmio Top Blog 2011.

Somos Finalistas, contribua com seu voto!

Um sabiá diligente
Voou pela vastidão
Mas por inexperiente
Caiu em um alçapão
Depois de aprisionado
Ficou mais martirizado
Pensando no seu filhinho
Implume, sem alimento,
Exposto à chuva e ao vento
Sem poder sair do ninho

Deram-lhe por seu abrigo
Uma pequena gaiola
Num casebre de um mendigo
Que só comia de esmola
Só vivia cochilando
Com certeza imaginando
Sua liberdade santa
Ia cantar, não podia,
Que sua voz se perdia
Logo ao sair da garganta

Tornou-se a pena cinzenta
Em seu profundo castigo
Na saleta fumarenta
Da casa do tal mendigo
Sempre triste, arrepiado,
Nesse viver desolado
Ia um mês, vinha outro mês,
Assim completou um ano
Sentindo o seu desengano
Nunca cantou outra vez

Dormindo, uma tarde inteira
O pobre do passarinho
Sonhou que ia à palmeira
Onde tinha feito o ninho
Olhava, em frente, as campinas
Via por trás das colinas
A natureza sorrindo
Ao sentir a liberdade
Pensou ser realidade
Sem saber cantou dormindo

Depois, sonhou que voltava
À terra dos braunais
Por onde sempre cantava
Junto a outros sabiás
Pousava nas laranjeiras,
Passava nas ribanceiras
Olhando o clarão do dia
Voava por sobre o monte,
Voltava a beber na fonte
Que toda manhã bebia

No sonho via as favelas
Criadas nos carrascais
Voou, baixou, pousou nelas
Cantou os seus madrigais
Voltou, e colheu orvalhos
Que gotejavam dos galhos
Dos frondosos jiquiris
Contente, abriu a plumagem,
Pra receber a bafagem
Das manhãs do seu país

Foi à terra dos palmares
Atravessou toda a flora
Cantou por todos lugares
Que tinha cantado outrora
Passou pelos mangueirais
E com outros sabiás
Cantou sonora canção
O seu som melodioso
Estava mais pesaroso
Devido a sua emoção

Viu a vinda do inverno
Nos quadrantes da paisagem
Ouviu o sussurro terno
Do bulício da folhagem
Cantava pelo arrebol,
Com o brilho morno do sol
Morrendo nos altos cumes
Sentia, quando cantava,
Que seu coração chorava
Com mais tristeza e queixumes

Sonhou catando semente
Num campo vasto e risonho
Se sentia tão contente
Que sonhou que fosse um sonho
Olhava pra vastidão
Sentia no coração
Um regozijo profundo
Todas delícias sentia
Às vezes lhe parecia
Vivendo fora do mundo

Atravessou os verdores,
Passou por entre as searas,
Cantou pelos resplendores
Das manhãs frescas e claras
Passou por um campo vago,
Bebeu das águas de um lago,
Pousou em um arvoredo,
Entrou em um bosque escuro,
Aí sonhou um futuro
Tão triste que teve medo

Depois, sonhou que estava
Trancado numa gaiola
Ouvindo alguém que cantava
Na porta, pedindo esmola.
Ao despertar de momento
Reparou seu aposento,
Ouviu falar o mendigo
Fechou os olhos pensando
Sentiu seu íntimo chorando
No rigor do seu castigo.

Ainda em vão procurava
Sair daquela prisão
Seu olhar denunciava
Piedade e compaixão
Ao pensar na liberdade
A mais pungente saudade
Devorava o peito seu
Assim, o cantor da mata,
Ferido da sorte ingrata,
No outro dia, morreu.

João Batista de Siqueira, Cancão.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ao poeta Antonio Pereira

O Poeta Antônio Pereira uma dia aconselhou:

Quem quiser plantar saudade,
Escalde bem a semente
E plante na terra seca
Em dia de sol bem quente,
Pois se plantar no molhado,
Ela nasce e mata a gente..

Vivendo lá longe nas europas, com um cadinho de saudade do seu sertão que quer tanto bem, o Padroeta Brás Costa, respondeu do jeito que se dá:

Ao poeta Antonio Pereira

Caro poeta, confesso, não segui corretamente
O seu poético conselho e não plantei a semente
Ao invés de escaldá-la
Eu preferi não plantá-la
Pensando que a evitasse
Mas para surpresa minha
Na cova do amor qu'eu tinha
Um pé de saudade nasce...

É, meu poeta, a saudade nasce sem ninguem plantar
E quanto a sua semente, é mesmo inutil escaldar
Mesmo que escalde a semente
Que a plante em terreno quente
E que não chova um sereno
Como pé de carrapicho
Ela faz esse capricho
Nasce e alastra o terreno.

Mas, obrigado poeta, pelo conselho no verso
Não se ofenda se eu sigo um caminho diverso
Vou plantá-la num baxio
Perto das margens dum rio
Onde a terra é irrigada
Já que eu não posso com ela
Vou assim vivendo dela
Pra morrer dessa danada.

Brás Costa, Górdoba, outubro de 2011.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Que país é esse?

"O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus".

Oswald de Andrade

sábado, 8 de outubro de 2011

Dos problemas

O que seriam das soluções, se não fossem os problemas?...

Pedro Torres

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

No Turbilhão - Antero de Quental

No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
Arrebatado em vastos turbillhões...

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...

-Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...

Poeta Antero de Quental

Dos problemas

Se seus problemas estão no passado, ótimo, estão resolvidos, pois lá ficaram. Se são do presente, melhor ainda, você identificou a fonte dos males que te cercam. Se forem futuros, oras, pois do futuro cuidem os que lá viverem!

Pedro Torres

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ventos de outono


Já sinto os ventos morosos
Da chegada do outono,
Folhas caindo do galho
Contra a vontade do dono
Vão aquecer as raizes
... Pra árvore pegar no sono.
 
Outra oubra prima do Padroeta Brás Costa

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Se eu fosse poeta...

Se eu fosse poeta, seria feliz
Não teria vergonha de mostrar meu pranto
E saberia transformar em canto
As palavras-dores que meu peito diz.

Se eu fosse poeta, seria aprendiz
E quando aprendesse ensinaria tanto
Sentiria um misto de paz e espanto
Quando eu recitasse um verso que fiz.

Mas não sou poeta, não tive essa graça
Por mais que eu deseje, o que quer que eu faça
Em versos, meus ais não sei traduzir.

Se eu fosse poeta, essas minhas dores
Eu as curaria com versos de amores
Não sendo poeta, só as sei sentir.

Do Padroeta Bràs Costa

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Canção do Exílio

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Gonçalves Dias

Um carrinho de brinquedo...

"Um carrinho de brinquedo
O meu pai fez e me deu
As rodas eram de tábua
Porque não tinha pneu
O volante era um cordão
E o motorista era eu.

Poeta Chico Sobrinho, verso enviado por Felisardo Moura Nunes

domingo, 28 de agosto de 2011

Ao braço do mesmo menino Jesus quando apareceu.

O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.

Poeta Gregório de Matos

domingo, 21 de agosto de 2011

Saudade...

Sem querer volto à casa do passado
Percorrendo os corredores da ternura
Me arranho novamente, pois a cura
Que eu busquei, mora lá, do outro lado
Se não quero, a lembrança faz traslado
Me transporta , atinado ao teu olor
Minha boca, lembra a tua, teu sabor
O teu mel, ainda com gosto de capa
Tua imagem, da lembrança não escapa
A saudade, me espinha e cheira a flor

Poeta Aluisio Lopes

domingo, 14 de agosto de 2011

A Lágrima

A Lágrima
de Augusto dos Anjos

- Faça-me o obséquio de trazer reunidos
 Cloreto de sódio, água e albumina…
 Ah! Basta isto, porque isto é que origina
 A lágrima de todos os vencidos!

-”A farmacologia e a medicina
 Com a relatividade dos sentidos
 Desconhecem os mil desconhecidos
 Segredos dessa secreção divina”

- O farmacêutico me obtemperou. -
 Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
 Na ânsia física da última eficácia…

E logo a lágrima em meus olhos cai.
 Ah! Vale mais lembrar-me eu de meu Pai
 Do que todas as drogas da farmácia!

Pedro Torres

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Severina Branca, por Zeto.

Sou da casa em que de madrugada
A criança acalenta-se ao cio
E faz sombra com a luz de um pavio
Que tem fogo amarelo igual espada
A mulher nua e fria está deitada
Ao seu lado um parceiro de aventuras
Que lhe mente a tentar fazer ternuras
Traz na bota dinheiro escondido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Geralmente depois das oito horas
Tomo banho me arrumo no meu quarto
Para o salão toda enfeitada toda parto
Pra aceitar uns convites, e outros foras.
A cachaça e o fumo são escoras
Dando ao corpo alegrias e torturas
E as doses que eu tomo são tão puras
Que o ambiente se torna colorido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

O pecado pra mim é testemunha
Pois ladeia o meu peito o tempo inteiro
Do primeiro ao último parceiro
Dou um nome diferente, faço alcunha.
O vermelho é perene em minha unha
Meu trabalho é melhor sendo às escuras
Sou alguém que procura umas procuras
Que navegam no rio do gemido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras.

Mas às vezes pra cama eu vou sozinha
Procurei muitos homens não achei
E aquele que eu mais acreditei
Deu-me um “seixo” e eu paguei o quarto à Dinha
Eu já sei que é tardia a ladainha
Parecido com um pingo em pedras duras
Sou irmã, pois, do canto das loucuras
E o meu peito é acorde do alarido
Que o silêncio da noite é que tem sido
Testemunha das minhas amarguras

Poema transcrito do LP de Zeto – Andarilho

Pedro Torres

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diamantes

Se quiseres conhecer o caráter de uma mulher, dá a ela um diamante. Se seus olhos brilharem mais que o diamante, o diamante é verdadeiro.

Pedro Torres

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Candeia

O teu caminho é iluminado, mas não deves correr com a vela acesa.

Pedro Torres

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sociedade Global

Tenha consciência de que você é substituível, uma reles formiguinha num imenso formigueiro, então, faça a sua parte com a máxima dedicação, essa é a sua melhor chance.

Pedro Torres

Geração Coca-Cola

É fácil falar em geração perdida, difícil é dizer quem a perdeu.

Pedro Torres

A Luta por Cidadania

Quem se conscientiza dos seus direitos dá o primeiro passo para a sua conquista.

Pedro Torres

domingo, 19 de junho de 2011

Suave

Resisti à tentação da doce morte
No tempo que vivia a esperança
E o céu noturno era de estrelas
E o sonho de viver uma criança
E o fugidio tempo, um prisioneiro...

Deleito-me agora co'a amarga vida
Esperando um passar de nevoeiro
Quem sabe volte o céu estrelado
E como acontecia no passado
As constelações possa eu voltar a vê-las.

Pedro Torres

domingo, 8 de maio de 2011

Das portas

Quem nunca bateu a porta de um poeta, jamais encontrou-o de portas abertas.

Pedro Torres

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Espelho D'água

Até quem caminha olhando pro chão enxerga o céu no espelho que a chuva cria quando cai sobre sua cabeça...

Pedro Torres

domingo, 17 de abril de 2011

Noite silenciosa

Naquele dia
Quase que por piedade
Uma chuva bem fininha
Acalmava o universo
E deixava a noite fria

Tudo era lembrança e vazio
Só a presença forte, e saudade...
Em tamanho desvario,
Um cheiro de liberdade...

Sentindo o entardecer
Da noite, o enternecer
A inevitável vontade
De a luz adormecer.

Que a graça de cair
Das mais altas nuvens
Fosse apenas voar
Por um breve instante

Bem abaixo a escuridão
Logo acima o brilho da lua
No meio à multidão
Um calor urgente de rua...

Pedro Torres