quinta-feira, 20 de maio de 2010

Diaba!

Volta pra casa o poeta ébrio,
Consigo suas palavras mudas...
Gira à procura d’outras vaidades
Ou até encontrar outras verdades
Escorrendo em linhas miúdas...

Não quero chorar rios de felicidades!
Diz-me da torrente da alegria que passa
E dentro da gente, no peito, fica
‘Co um alento de menta matinal e,
Logo após, um café bem quente...

Dar-se um fôlego de correr mil léguas
Sem censurar, sem críticas, sem tréguas,
Até em rimas de métricas sem réguas!
O teu nobre verso doce... Sem defeito!
Tomar um frescor zeferino que o sustente...

Que nada alimentas além da poesia.
Recebe cálices de incalculadas medidas;
E cursa as letras alheias por tuas veias;
Anda as tuas aranhas por tuas teias;
Das tapas ao vento leva-as à ventania...

Eu nada disse do que não houve
Tampouco diria do que houvesse
Deixaria conservar-se à superfície
A dádiva do amor que nos restasse
E algo do sangue que se sangrasse...

Se além do amor perfeito, amasse
E, por aí tu comigo se encontrasse
Talvez existisse um beijo infindo
E fôssemos viver um segredo lindo
De nós dois, pra acordar dormindo.
E beijar e amar e permanecer sorrindo...

Pedro Torres

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