sábado, 24 de abril de 2010

Se Voltares...

Como o sândalo humilde que perfuma
O ferro do machado que lhe corta,
Hei de ter a minh'alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma

Se algum dia, perdida pela bruma,
Resolveres bater à minha porta,
Em vez da humilhação que desconforta
Terás um leito sobre um chão de pluma.

Em troca dos desgostos que me deste,
Mais carinho terás do que tiveste
e meus beijos serão multiplicados...

Para os que voltam, pelo amor vencidos,
A vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados.

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma.
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