quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Cura

Pro fim do tédio
Pulou do prédio
Virou suco de gente
E deixou um bilhete
Nada comovente
E o globo girou
Num breve rodopio
De lá despencou
A vida já por um fio
De repente, quebrou.

Então encontrou o poeta
E a força que o suportava
Aliou-se a força do fundo
Nada mais lhe era devido
E o impulso que faltava
Veio como um gemido
Do seio do mundo.

Aquele mundo suporte
De repente, inexistia
O que era poesia
Virou reles fagulha
A apontar pro norte
Sopro de brasa, agulha

E cansado das incompreensões
Viu por terra as últimas esperanças
Sempre o que restava por último...

Na última ampulheta
Deu o giro final, fatal
Nada mais esperava
A alegria morrera
O poeta não suportou
A cura não curou
E a vida, não preponderou

Todos os poemas que escreveria
Com, ou sem, qualquer alegria
Ficou para outra ocasião
Devagarzinho silenciou seu coração
E o silêncio lhe doía mais
Que aquela estreita passagem
Tudo fora mera ilusão.

Pedro Torres
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