sexta-feira, 9 de abril de 2010

Caxangá

No sertão coroado de facheiro
Sou o canário cantando atrás da grade
Venho hoje pedir cá da cidade
O cajado do mestre conselheiro
Minha mente jamais esquece o cheiro
D’uma chuva molhando a terra quente
Lavadeira lavando a dor da gente
Preta velha abanando o fogareiro
Pai Tomás acendendo o candeeiro
No momento que o Sol toca o poente



Toda minha visão é catingueira
Minha sede é de água de quartinha
Sou um fantasma das casas de farinha
Sou um pedaço de vida em fim de feira
A bala que tem mira certeira
Um cordel de palavra incandescente
Sou a presa afiada da serpente
Que cochila nos pés do cangaceiro
Esta noite eu retalho o mundo inteiro
Com a peixeira amolada do repente

Poeta Lirinha (José Paes Lira)

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