sexta-feira, 30 de abril de 2010

Egoísmo.

Falam tanto em mal do século que esquecem de fazer o bem do dia.

Pedro Torres

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Da juventude extrema

"Não se pode exigir da extrema juventude a exata ponderação das coisas; não há como impor a reflexão ao entusiasmo."

Machado de Assis

terça-feira, 27 de abril de 2010

Abraço?...

Jamais te diria adeus!
Que sei não voltarias
A olhar nos olhos meus,
Enchendo-os de alegrias.

E, sem intervalos de ar
Iniciar uns abraços, sem par...

Mas, desse abraço, poeta!
Desse último, de despedida,
Que se dá antes da partida?!
Eu deixo pro fim da reta!

Pedro Torres

sábado, 24 de abril de 2010

Se Voltares...

Como o sândalo humilde que perfuma
O ferro do machado que lhe corta,
Hei de ter a minh'alma sempre morta
Mas não me vingarei de coisa alguma

Se algum dia, perdida pela bruma,
Resolveres bater à minha porta,
Em vez da humilhação que desconforta
Terás um leito sobre um chão de pluma.

Em troca dos desgostos que me deste,
Mais carinho terás do que tiveste
e meus beijos serão multiplicados...

Para os que voltam, pelo amor vencidos,
A vingança maior dos ofendidos
É saber abraçar os humilhados.

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eloquência

Ser eloquente é comunicar objetivamente o que se pretende.

Pedro Torres

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pensadores

Se pensar distingue os homens dos animais irracionais, pensar bem, os distigue entre si.

Pedro Torres

Com Tua Imagem na Memória

Meu quarto está gelado de Saudade!
As cortinas imóveis... sobre tudo
Desce a tristeza... Meu canário, mudo,
Já não vê quando chega a claridade!

Que silêncio mortal! Nem range a porta...
A sala é um ermo... as horas estão frias...
O piano é um cemitério de harmonias
Dormindo na mudez da noite morta!
*

Chego à janela: só tristeza existe...
O jardim não tem mais aquele encanto...
O cata-vento que oscilava tanto,
Já deixou de oscilar... tudo está triste!

Fumo um cigarro... em sonhos me embeveço...
Lembro uma data.. em cismas me dilato...
Leio uns versos, revejo o teu retrato...
E quero te esquecer, mas não te esqueço!

A vontade de ver-te me tortura!
Não posso mais... cansei na longa espera!
Vem, meu amor! Acorda a Primavera!
Tira minh’alma desta noite escura!

Poeta Rogaciano Leite, em Carne e Alma.

Pedro Torres
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tem gente pedindo esmola, estipulando a quantia

Dei esse mote pro poeta Maviael Melo que me presenteou com este primeiro dez linhas:

Todo cavalo que é dado
É dispensado o sorriso
Conselho não é aviso
E nem se compra, é doado
Aceite então o ofertado
E agradeça com alegria
Quem determina franquia
De favores não decola
Tem gente pedindo esmola
Estipulando a quantia


Mote Pedro Torres, dez linhas do Poeta Maviael Melo, agora à pouco.

Escuro

A companhia desta noite
É o abjeto negror da vida,
Toda aquela escuridão...

Crepúsculo que acompanha,
Sem descansar seus passos
Do futuro, o que inda falta...

Que diria outro poeta?
Bebe a dor em si,
Até enlouquecer um tempo

Volta à incerteza da vida e,
Dada a certeza da morte,
Abriga-te sob o certo Sol.

E esta noite, somente noite,
Dedica-te a batalha nossa
Acolhei um só guerrear!

Pedro Torres

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais Uma Vez

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Poeta Renato Manfredini Jr.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Advogado (11-08)

Defende todo direito,
Todo mérito e razão:
A justiça: seu preceito,
E sempre atento a questão...

Vejo assim, o advogado:
Ser um astro na oratória,
Pulso firme e dedicado,
Ele segue a trajetória...

Quase sempre enaltecido
Vejo um ser inteligente.
É nobre e reconhecido,
Dentre gente, que for gente...

Por isso, vai meu respeito
Para todo advogado,
O defensor do direito
Que sempre será lembrado

Poesia que integra o 4º livro do Poeta Wandisley Garcia:
Calendário Poético
http://www.wandisleygarcia.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Contra o amor

Minh'alma foi não sei para onde,
qualquer dia me contem do amor,
virei parte do nada,
desafiei as paixões,
apaguei todos os sentidos e sentimentos,
mostrem-me porquê perdi a razão.

Hoje não sou amante, só apaixonado,
quero minha fêmea de volta,
minha outra parte, o que foi daqui,
quero viajar por outros tantos lugares,
temos todos os amores e a coragem,
falta um sim ou então vem sem avisar.

Corro contra os ventos e mares,
o sol não me assusta,
deixem que floresçam as flores,
não sei mais escrever,
preciso antes arder de amor,
não lembro das luzes das estrelas,
sem destino perdi a memória,
luto contra a falta que me faz.

Meu sorriso volta quando vem,
viro menino por um tempo,
estendo minhas mãos,
entrego-me à sua ternura,
deixo ir por onde o instinto nos leva,
não sei mais dos meus sonhos,
paro por alguns instantes e lembro,
talvez ainda volte, a esperança é um talvez.

Quantos corações queria ter,
entregaria todos às nossas paixões,
faríamos planos novos para muitos amanhãs,
deixaríamos marcas em todos os amantes,
os dias e as noites teriam razão de existir,
diríamos ''não'' às despedidas,
as partidas ficariam proibidas,
íamos ser muitos em um só amor.

Quero as nuvens negras longe,
alguns medos ainda me rondam,
preciso de um Deus que me proteja,
que deixem longe os ventos do mal
e as tempestades que devoram a confiança,
sou justo e quase sempre injustiçado,
a paixão vai quando não quero,
o amor chega quando a solidão entra no peito.

Não sou contra o amor, a paixão,
não quero outro coração no meu,
sinto falta de seus carinhos, das horas juntos,
preciso plantar outra flor,
cantar outras músicas e sorrir,
talvez volte o desejo de me entregar,
quero a ansiedade, as promessas de amor,
guardei tudo aqui, só falta você.

Caio Lucas

A Cura

Pro fim do tédio
Pulou do prédio
Virou suco de gente
E deixou um bilhete
Nada comovente
E o globo girou
Num breve rodopio
De lá despencou
A vida já por um fio
De repente, quebrou.

Então encontrou o poeta
E a força que o suportava
Aliou-se a força do fundo
Nada mais lhe era devido
E o impulso que faltava
Veio como um gemido
Do seio do mundo.

Aquele mundo suporte
De repente, inexistia
O que era poesia
Virou reles fagulha
A apontar pro norte
Sopro de brasa, agulha

E cansado das incompreensões
Viu por terra as últimas esperanças
Sempre o que restava por último...

Na última ampulheta
Deu o giro final, fatal
Nada mais esperava
A alegria morrera
O poeta não suportou
A cura não curou
E a vida, não preponderou

Todos os poemas que escreveria
Com, ou sem, qualquer alegria
Ficou para outra ocasião
Devagarzinho silenciou seu coração
E o silêncio lhe doía mais
Que aquela estreita passagem
Tudo fora mera ilusão.

Pedro Torres

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Caxangá

No sertão coroado de facheiro
Sou o canário cantando atrás da grade
Venho hoje pedir cá da cidade
O cajado do mestre conselheiro
Minha mente jamais esquece o cheiro
D’uma chuva molhando a terra quente
Lavadeira lavando a dor da gente
Preta velha abanando o fogareiro
Pai Tomás acendendo o candeeiro
No momento que o Sol toca o poente



Toda minha visão é catingueira
Minha sede é de água de quartinha
Sou um fantasma das casas de farinha
Sou um pedaço de vida em fim de feira
A bala que tem mira certeira
Um cordel de palavra incandescente
Sou a presa afiada da serpente
Que cochila nos pés do cangaceiro
Esta noite eu retalho o mundo inteiro
Com a peixeira amolada do repente

Poeta Lirinha (José Paes Lira)

Passarinha

Voou pra bem distante
Meu pássaro canário.
Foi visitar outro cenário
Voar por outra vazante..

Eras tudo... – Oh, passarada vil!
Levaste embora meu amor
E toda chuvarada de abril

O meu sentir mais dolorido
Do meu jardim colorido
A sua mais bonita flor...

Mês que se fez desgosto
Para o fim deste agosto
Em meu poema sutil..

Sol, beirando à já posto
À argúcia do teu rosto
Deixar o corpo febril!

Sentir o frescor do mundo
Vindo da umidade da brisa
Nativa do riacho profundo
Da paz que a gente precisa.


Mas, se uma parte de saudade
Doer sem precisar a dimensão
Do que só um exato silêncio diz...

Lembra-te de nós, infinitamente!
Volta, e chega de tanta saudade!
Dá-me de beber da tua felicidade.

Pedro Torres