sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amargurar

Quem nunca soubera
Aonde começara a vida
Buscava o findar da morte

E antes que se apercebesse
Um dia antes da véspera
Acordou do pesadelo

Ouvia a dona da voz
Que lhe invadira a alma
Trazendo-lhe a paz, a calma
Ainda que muito feroz

Era tal rugido de leoa
Protegendo sua cria
Mas tudo lhe parecia
Menos doído e enfadonho

Àquele pesadelo medonho
Quis o poeta regressar
Apesar das espinhentas
Cenas de amargurar

Numa vontade ensandecida
Ingeria todo éter que podia
Quem sabe voltava um dia
Àquela paisagem querida

Sentindo o passar da era
Desgraça de sua existência
Chorou e pediu clemência
Pois, bem distante da fera

E tudo se estremeceu
Ao acordar das ondas boas
Do mar que aconteceu
Do barulho que atroas

Era o final da última estação
Quando o pulso inda pulsava
Que a corrente que faltava
Percorreu por sob o chão

E de tanto querer estar
Exclamava sem pensar:
Pode me chamar de louco,
O que veio ainda é pouco!

Reescreva tudo novamente
Alinhe a linha da palma da minha mão
Que eu só restarei contente
Quanto alegre meu coração

E o meu amor sorridente
Comigo para sempre ficar
Sem somente esse atravessar
De um se amar eternamente...

Quero o agora, agora
Que o futuro é de quem lá morar
E quero logo, sem demora
Tudo que me foi dado imaginar!

Pedro Torres
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Direito à Réplica Poética...