quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pressa dessas

Céu de anjos, do bem e do mal
Cobrem a cidade e tudo passa
Rasga-se a cena até que cessa
A bela cena de um ancestral

E saber que o sol fulgente ao alvorecer
Será o mesmo que viveu e morreu inda hoje
Virá a cada manhã, até sem unção de caboje
Negar o que há de vir é não amanhecer

Da pressa que incomoda os miolos
De todos que se prestam a pensar
Em ver pedras removidas do lugar
Das quebras indevidas de tijolos

A rasga-mortalha que rasga o céu
Da noite, guardiã de obscuro véu
Chega a doer tanto sentir dores
E chorar migalhas de teus amores

Desfeitos, por tão malfeitores
Vezes tanto, do saber, doutores
E não conhecem dos corações
Do sal da lágrima, nas aflições.

Rapina de hábito noturno
Que não come coturno
Tampouco a corda miúda
Daquele que não a saúda

Seja reles fartura de ratos
Dos esgotos e, já fartos,
Reúnem-se ao claro diurno
A altercar-se em outro turno.

Pedro Torres
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