quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Das uvas



Néctares fermentados de um pisoteado ledo
Dumas donzelas belas, alvas e pés desnudos...
À formar um vinho de paladar inigualável.

Então bebi dele, e tudo me embriagaram, que
Acreditaram em todo que acorrentado ia-se
Em mim, por cada trago das taças cristalinas

Devera eu, pois, ter nascido então mais cedo
E não doído daqueles chulés, de doce cheiro
E impiamente nutrir-me desse vil sentimento

Ah! Maldita sentença dessa vida é o tempo
Escolhido por quem não ama por completo
A demasiada angústia contida no concreto.

Que acode o desvalido ao quedar-se ébrio
E, após, devolve-lhe à mesma medida forte
E certa misericórdia de dor até lhe acolhe.

Que diriam as tuas papilas se soubessem,
Que as minhas já se abandonaram à sorte
Deste infortúnio de ser-te fiel até a morte

Por não poder adorar-te, uva, da tua boca
Restam somente as lembranças infelizes
De uma tempestade conduzindo o poeta

Ao vinhedo noturno à cata dela, parreira,
Que emprestara aquela exata ainda uva
E rogar ao meu Senhor fazei-me: o fruto!

Mesmo que um dia tudo em si se iniciara
Ah! Viver doravante como reles migalha
De algo que vinha antes deste teu ofício.

Pedro Torres

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