segunda-feira, 6 de julho de 2009

Nós de nós dois

Descobri que sem tu, nada não sou
Metade da minha parte, poeta
Não foi mentira e é paixão...
Foi só amor que não fizemos ainda.

Amor falsificado emborrachado, demasiado
Do fôlego que me traiu em teu abraço demorado...
Da chuva que caiu, a noite que vai, e eu que fico
E o dia que amanheceu em cinza magnífico...

Da rima que desconheço quando aconteço
Porque não estamos poesia
Desata este nó de nós dois
Ou me dizes sim apenas, pois

Que o desprender de nós é meu ofício, alimento
E sentir tua falta não me sustenta, jamais
À segurança, mora comigo, ama,
Dá vida a um rebento, em tua cama!

Que a corda e os nós dos cegos
Eu cometo em mil pedaços e arrebento,
Transformo em matéria prima, prostra serventia
Saber da garantia do não sufocar-se um tormento

Que o teu distanciar-se além da distância
Me fez pensar em outro sofrimento
Numa pinga barata, uma dose de esquecimento
Que não trago, por detestar o momento

De sentir-me ausente do que ora sinto
Deste sempre, insistente e novamente, eterno
Somente um mais recente, poema meu
Que não consegues esconder, nem eu, sentimento

Sou o seu presente mais caro, tua poesia mais rara
Quanto é você a melodia, meu ninar.
Abraçar-te então e festejar, celebrar a felicidade
E ter uma festa de amigos e fermentos!

E beber, e comer, do cruzar de todo dia,
O mais gostoso da nossa alacridade.
E numa cama macia, trocarmos agrados
Até amanhecermos o dia esquecendo-se do café!

E nos embaralharmos e te fazer, mulher
Tu me estender e nós nos completarmos
E minha represa cheia, já pelas beiradas,
Com uma lágrima tua, de alegria, trasbordar-nos!

Que de repente nos fortalece tudo
E no mundo não há lugar melhor
Pra plantar as sementes verdadeiras
Companheiras nossas, guerreiras

E tudo acontece depois,
Por merecimento!
Mas diga amor e tá feito,
Dá-me o teu beijo, e partiremos...

Pedro Torres
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Direito à Réplica Poética...