quarta-feira, 29 de julho de 2009

Meu peito e o chão

Preparei minha terra pra plantar,
Mas a chuva não veio até agora...
Enfeitei o meu peito para amar,
E a mulher que mais amo foi embora...

Mas as nuvens já vêm anunciar,
Que uma chuva virá regando a flora.
Só não veio ninguém pra me avisar,
Se quem amo virá na mesma hora.

Mesmo assim o meu peito é como o chão,
Sempre fértil, está de prontidão,
Esperando chover bem de mansinho...

Mas um chão, sem chover, pode rachar
E o meu peito, cansado de esperar,
Rachará nessa seca de carinho!

Vinícius Gregório
Recife 30/04/2009

Um comentário:

  1. Poeta,

    Poemas não tem tempo, são escritos que perpassam os conceitos conhecidos da relatividade das coisas da natureza.

    Isso aconteceu comigo verdadeiramente, para fugir um pouco da linguagem que nos impregnamos naquelas cadeiras da propedêutica jurídica espero não te contaminem jamais.

    Em estrofes de Pinto do Monteiro:

    Recordo perfeitamente
    Quando em minha idade nova
    O meu pai cavava a voca
    E eu planta a semente
    Eu atrás ele na frente
    Por ter força e mais idade
    Olhando a fertilidade
    Da vastidão da campina
    "Aquela chuvinha fina
    Me faz chorar de saudade."

    A gente, de egoísta, pensa que passa o tempo pra nós, mas é que somos nós que passamos pelo tempo querido Poeta, e plantei no chão molhado do sertão sementes que germinaram lindas numa invernada, e meu pai ia à frente cavando as covas...

    Sei que o livro que me destes, saiu fiado, mas o autógrafo saiu às vistas, se Deus me permitir eu te mando uma passagem lá de Sampa pra tu ir me cobrar ele de perto.

    Um abraço desse teu irmão pajeuzeiro e concidadão egipciense!

    Fica bem

    Pedro Torres

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