segunda-feira, 27 de julho de 2009

Anjos

I
Anjos se lançam em pedras rijas
Pedras de amor de sentir-se dor
E são como águas que queimam
Ardem no frio e aquecem-se sós.

Celebram o raiar do sol, diário
Que de lá partem as liras e sons
Dos cânticos de ventos suaves
E das brisas fortes que afagam

Se bárbaros os recentes divinais
Que se apresentam, ora tristes
Para acompanhar o teu pesar,
Ora felizes em teus risonhos.

II

Se acaso então, eletricidade fui, hei
E nos breves penares estaria certo
A água da fonte jorraria no deserto
Cresce em decrescente, ou morrerei

Cheira os panos novos e suaves
Alivia os teus pés nos gélidos rios
Nas cascatas d'onde pedras cristalinas
Refletem linda cores inda impetuosas

Deslembra tudo, doa olor à flor mais cheirosa
Pois que és tu primavera, dês antes perfumosa
Dos espinhos que esmaguei de pés descalços
Pois inexistem travestidas as ruas de percalços

Se te passar, por um som, ou um vento frio
E acaso do cabelo castanho sedoso, um fio
Atrapalhar-se e te tocar suavemente, pensa
Relembra a palavra sinônimo de esquecer.

Descrente da língua pela qual me apaixonara
Triste do poeta que mergulhou nas palavras
Emaranhado no sombrio das letras só vazias
Que não te quero nada mais, nem de menos

Nunca deslembra da poesia de vivenciarmos
Nem por um segredo nosso à desvendarmos
Que fora uma mentira tua de minha ciência
Da carne incólume e imaculada conhecer-te

Das ideias secretas que imaginas não saberia
E não seriam revelados naquele pano branco
Do metro quadrado de linho do poema, mais
Esquece todas as juras vãs que te fiz, d'antes

III

Porque d'agora em diante eu serei mais feliz
Sabedor de tuas promessas de amor constante
Não quero provas da minha amiga verdadeira
Basta-me a tua palavra, honesta que honrarei

Vivo e morrerei por ela, minha adorada amiga
Na minha armadura não penetram lanças vis
E defendo teu reino contra os inimigos cruéis
Pois, existem nesta terra nobres senhores fiéis

Amigos de outras batalhas que travei e venci
Com glória e semblante sempre vencedor
Senti medidas de algum outro digno perdedor
Mas as adversidades fizeram-me crer no amor

E o zelo quis me conduzir a castelos de sonhos
E de ti me lembrei em cada travesseiro macio
E só quando, pra casa voltava cansado da luta
Encontrava no cio o amor de toda a minha vida

IV

Ah! Malditos moinhos que me revelastes certo dia
Faltaram-me palavras já no fim da vida a dizer-te:
Tua honra, por cego, intacta zelei, de tanto querer-te
Poeta pixote, o anjo da sorte, o cavaleiro errante!

Pedro Torres
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