domingo, 28 de junho de 2009

Sono verdadeiro

Vou dormir um sono verdadeiro
Talvez sonhe com um mundo melhor
Sem hipócritas, estupradores e ladrões

Carnificina assassina de emoções das pedras
Que das janelas vejo sendo atiradas por meninos
Traquinagem de almas pequeninas, minúsculas cenas.

E na novela passa um monte de abobrinhas
Preencher o vazio do oco coco
Miolos de pote, azedumes, costumes.

A virtude é uma reta indivisível
Para poucos, menos invisível e até crível
Ainda que em um sonho, acordado

Imaginar-te nua andando pela sala
E olhos esbugalhados indagando
Que é aquilo?

Tieta, Pedro Bala, e tantos personagens...
Não são tão lindos quanto a vida do escritor
Meu bem amado, morena cravo e canela.

Que te debruças na janela
E fumas um cigarro sem companhia
Sem nenhum tapa, na cara limpa e goza a fumaça cinza

E sem passar de mãos em mãos vais em frente
Sem arrependimentos e sentindo o vento quente
Que de repente te leva bem próximo de uma confusão

Imprópria e que te aproprias, por egoísta
Que queres posto em escritos teus
E em teu seio, escrito o mais bonito verso meu.

Que ninguém respeita por alhear-se ao teu destino
Dos pensamentos que se lhes absurdam em suas mentes
Não maturadas, como amoras frescas colhidas e não tragadas.

Pessoas estragadas por não aproveitadas, desperdício de vontades
Que não perdes tempo, que nesse tempo, tempo é essencial
Providências, afazeres, e o amor trivial...

Quem sabe um copo traz um pouco de alegria
Ou o vazio seja a fonte toda de tua existência
E essa decadência, que te confundia seja tua rebeldia

Romper de idéias previamente planejadas por senhores
Doutores de uma ciência caduca desde o nascimento
Que não se precisa a data nem o momento.

Que sabemos existir e assim nos encontramos livres
E nessa caminhada nos encontramos para copular
Fazer filhos, agasalharmos um ao outro no frio

Encontrar para o mesmo encontro nosso um conforto
Ainda que de futilidades que sabemos a força do poço
Que infinita seja, pois, essa busca incessante que nos incendeia

E nos amaremos na rede, na teia e no chão quente de um pântano
De lamas de larvas de um vulcão de muitas matérias inorgânicas
Que alimentem esse corpo de mesmos elementos e nos dê espaço

Para em atos complexos sedimentarmos algumas palavras
Que descrevam os fatos mais relevantes
Eis que o todo deveras saber impossível realizar

E a parte nossa seria talvez amar incondicionalmente
Ainda os fracos, frascos e seus comprimidos
Oprimidos, esquecidos e cartelas ou tabelas matemáticas

Para evitar a regra, voltemos à rudeza, olhemos a lua
E volto a minha fertilidade, virilidade, te imagino sim
E não posto no verso tudo que não carece e repito a prece

Até definitivamente pegar teus modos e aprender contigo
Como seguir essa vida de orvalhos matinais sem jornais
E ficar informado do que se produziu à distância...

Pedro Torres
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