terça-feira, 30 de junho de 2009

Ecos de Respeito

Será o tempo, juiz implacável dos nossos planos
Da saudade, recompensa tardia dos nossos desenganos
E do teu germe companheiro, testemunha fiel aos poucos anos

E me dissolvo em nuvens parcas
E vôo em plena escuridão de minh'alma
Porque silêncios que apunhalam covardemente
E peço que se afastem dela, novamente e sempre

Fui um vento que passou e deixou silêncio
Emudeceu o melhor dos verbos eloquentes, não tremas
Que expressava o sentimento do punhal encravado,
Fincado em minhas costas e peito nu, aberto em chagas.

Do alto vi colinas verdejantes e agonizei
E de lá não pude voltar, pois que distante
Audácia? A praia d'onde bronzeio pensamentos diários
E sem pára-quedas saltei em teu vazio absurdo

Disposto a queimar-me em mil fogueiras em brasa
E ser consumido vivo até ver-me cinzas, carcaça
Chamuscando inicialmente a pele como torresmo
Para negar aos abutres pedaços de minha carne

Abandono-me à sorte minha, exclusiva e repentinamente
E nada compartilharei que em ti te encontres
Pois só adiante e depois de apodrecida a carne
Filhos de moscas brotarão nela como larvas famintas.

Descobrirás dolorosamente, aí sim o desperdiçar do tempo
Que o tempo perdido era a mais preciosa gema, e ainda
De muitos quilates, mas não polida em tua idéia torta
E talvez encontres a solução definitiva da morte, e te rejeite sem azeite.

Não advogo causas perdidas para o meu Senhor
Luta selvagem até extrair-se de todo o suor e a dor
E implantar a delícia do sacrifício de viver intensamente
O orvalho de amanhecer sempre e parir tua própria cria!

Quando nunca aparecer nada por fazer, e o último poema
For sempre o recomeço de uma nova linha por escrever
Vamos caminhar por entre becos e ruas desertas e povoadas
Não dividir ego, id, superego e desencontrar-se volitivamente

E viver a ermo como náufragos de um mundo pobre
Soberanos de uma anarquia de planos sarcásticos de nobres
Que não te compreendem por que além do tempo a tua doença
Não ira, que dos pecados me alimento e vomito

Fertilidade desta matéria de cópula pronta espera
E agora tesa em ti pensar, ereta e pungente
Lactante, órfã e humana que chora e se esconde
De si, não de mim, o que arranco e ponho as escâncaras

Suga-me todo o bem que desejas e cresce, dá-me o teu peito
Aceita morrermos juntos pecaminosamente e permanecermos
Que anjos caídos não conhecem a candeia e se confundem
E cumprindo a promessa de respeitar cada pensamento teu, vou...

Pedro Torres
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Direito à Réplica Poética...