domingo, 10 de maio de 2009

Quase metade

Quase metade de mim já se foi na fumaça, esvaiu-se!
Dessa locomotiva viva, conhecida, vida
Serias tu a parte do todo, ou o reverso!
E a outra metade, d'onde andaria, a cara...

Não me importa a razão, de tua desesperança
Nem o motivo, da praça, das bocas alheias
Figurante, de um filme sem enredo, nós da rede.
De onde vens, cara pálida, vestido amassado,

La vem de novo, lá vem, a barra de um novo dia
Vou procurar alguém que não me compreenda
Vou procurar alguém que eu entenda
E eu saberei o que diz de mim, esse alguém

Uma luz que se acende na janela, ao mesmo tempo
Como numa sinfonia bela, sincronia de acende e apaga
Apagou-se a luz daquela janela, sem velas
É o dia nascendo... É o dia vingando...

A noite passada, que quase sem jeito, pela madrugada
Veio em meu peito, fazer sua morada
E o barulho das ruas, já sem sentido
E penso em você, em um lindo vestido

Sem revelar, que era um pijama, que drama
Respiro um pouco do ar poluído, dessa cidade
Sinto-me comovido de uma estranha felicidade
Não sei como pode ser, essa iniquidade.

Se distante de ti, repousa a minha liberdade
Libertinagem de Dionysia, o vinho...
Pensei em sangue, lembrei da cor, do primeiro amor
A cidade acorda, lentamente e a barra do dia, calmamente, também

E chega o sono forjado, de andar contigo por aí, descalço
Eu não me arrependo de ter-me entregado
Ainda que isso seja o meu pecado...
E volver já não posso, devolver, o que é nosso

Porque haverias de ser, poço tão profundo
Das coisas, mais complexas deste mundo
E belo, ao mesmo tempo, tu és!
Mulher de única face e mil disfarces...

Quem dera saber um dia, teu íntimo enlace
Teu cabelo, teu sorriso, insegurança
Os pingos da chuva já não me incomodam mais
Os pingos da chuva já não me incomodam
É a chuva que me dói... Que me traz pensamentos teus
De tu, ausência.

E eu ouvi o som do bueiro que pisastes
De madrugada, de onde vinhas, toda arranhada?
Descabelada, despenteada, desmantelada, embriagada...
Que mágoas procurastes dissolver em prantos
Que te encontras agora, e assim, se estraga um teu realce

Uma maquiagem, uma pintura, menos uma viagem
Porque é tão caro viver, tão caro
Qual é o preço à pagar, pela vida, de vivermos
Também não me importam, mais os barulhos
Das ruas que acordam.

O amargo da minha boca, da palavra pouca, da voz rouca,
Tristeza... Embargada
Não te compreendas nem o que dizes de mim
Isso me agita. Te explica. Te faz compreensivel...

E acredita, que é possível!
Me dá uma chance, que rima com romance.
Mas não é para a rima que vivemos...
É para toda a poesia.

E da doença a cura, mais simples
É estarmos juntos,
Mais simples...
Um abraço bom,
Bem simples...
A tua calma,
Bem simples...

Irrequieta, moleca, sapeca, atrevida!
E teu querer e gostar, e gozar, sem saber porquê.
Não é pecado se for com você.

Mas quando te alheias o prazer à mais alguém
Amanhece o sábado, a dispensa vazia....
Qual preço?
Amanhece o sábado e a dispensa vazia!
Sem endereço, de poesia.

E o teu refúgio, que tu declaras
Porque demolistes, assim tão as claras?
Desistir-se, silêncio...

Que queres fazer, rapidamente
Um plano curto e agora...
Te mostrar cenas, que irão acontecer
Porque é assim que o dia reage

Que penso em paisagens, pra não te esquecer
Fica comigo, meu doce encanto
Perdoa esse poeta, amigo... E tanto!

Eu procuro as palavras e me lembro dela
Da tua palavra, sobre a palavra
Singeleza, da natureza, tu tens a palavra...

E antes que eu me esqueça, e tu te aborreças
Com o longo poema
Sim, eu pensei, em nossa viagem
E te tenho o convite pra agora

Acredite e viaje comigo
Estou indo embora pra bem distante
Talvez um retirante, errante, cigano
Sigamos, um instante, um plano

E tudo será permitido, até te amar, ou o invertido.

Alentejo, em Portugal, é lindo
E sei que tu viu também, o comercial!
Viaja comigo, vem comigo, pra Portugal...

A poesia não finda, se alonga, se demora...
Como tu, fazes ainda.
Desprezas o poeta!
Poetisa.

Pedro Torres
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