sábado, 2 de maio de 2009

Deixar o Ser

Se no chão, terreno árido e semi nu
Expusera-se cada pedra que nos atrapalha
Queria eu, mútuo, destruirmos esta muralha
E não postergar mais essa enchente

Mergulhar no melhor aguardente, até resolver-se
E negar-lhe o que é mais puro e verdadeiro
É o caminhar, que de repente, aponta-se presente

Se a rima que aprendeste para dor
Já não queres incluir nos versos meus
Porque dos frutos o paladar seria proibido?
É o que sentes que não rimou? Ou não te era garantido...

Duradoura sina de poeta é viver partindo
Cada dia em versos seus, o passado diluído
Distribuir bocados de coração absoluto
Ver brotar no sertão esturricado, o amor...

Se conheces teu coração, nos enganamos
Nossos planos, riscados desse Ser, tão adormecido
É o não ficar-se preso, livremente
Vem de repente um só minuto, fica comigo
E o Ser, tão sertão, amadurecer-se um fruto, nosso...

Dou-te meu melhor abrigo e te afasto o perigo
Candeia que não se apaga, e não consome
Paixão com fome, viver tua sede
Lamber teu néctar, extasiar-se, na rede...

Fundir a cuca, e apaixonar-se definitivamente
Alcançar a imaginação tua, atear o fogo
E vir teu rosto rubro, feminino, nua...

A preferida entrada triunfal do destino
Coabitarmos, Cópula, Frutos, Filhos
Plural do amor meu.

Pedro Torres
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