terça-feira, 28 de abril de 2009

Saliva compartilhada

Quedou-se em pranto
Meu verso branco
Tirou o manto
Rasgou o véu, subiu ao céu!
Quebrou-se o encanto

E veio o espanto e a descoberta
De boca aberta
Compartilhar saliva
Eu, Ser poeta
O teu sonho acalentar

E de dia, quem me faz companhia...
Não que eu mereça, mas que eu te esqueça
Quanto tempo devo dormir?
Para o sonho ser verdadeiro, tem que ser dormindo?

E para um sonho eterno,
Quanto tempo tenho que dormir?
Acordarmos juntos, ao amanhecer
E te conhecer
E te amar
Sem acorrentar-se à necessidade de dar

Decisões que a gente leva
Pra a cama
Pra casa, pro campo
Para o milharal, colher o milho, fazer um filho
E se embrenhar na mata densa
E suar suores que a gente não pensa
Existir
Na mata densa...

Um sonho insólito...
De goiabada ou doce de leite?
Insônia
Como é teu nome insônia?

Me dói, te saber existente
E somente dizer isso
Sem te identificar, gente
Que abril demorado...

E esse teu namorado?!
Nem vou comentar...

Que cara feia naquela nuvem!
Quem mais vê cara feia em nuvens?!
Ou estamos sós poeta...

Agora são dois, naquelas mesmas nuvens
A se olharem, feios
Mas um ainda olha, e se aproxima, pra se beijar
Mesmo sem ver, sendo nuvem
A saliva, compartilhar...

Pedro Torres
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