terça-feira, 28 de abril de 2009

Manhã de abril

I
Somos os donos deste mundo, entortamos o tempo e a luz
Determinamos o maior dos terremotos, porque vimos a Terra viva gozar à morte
E vivemos à sorte, de navegar sem leme, sem direção, e com um mesmo remo...
Seguindo rumo a um mesmo horizonte e nos alcançamos

II
Que venha então o vulcão do norte, celebrar o encontro dos libertários
Com lumes incandescentes, ardentes, impacientes...
Atores dessa vida só, eterna! Protagonizamos o dia seguinte do presente
E plantaremos nos corações da juventude, uma semente de repente!

III
Dois poetas apaixonados, oprimidos num espaço
Vazios de si mesmos, preenchido por nós dois
E sem exclamar a sorte, virá o vento do norte
À chover suavemente, regando o melhor da vida

IV
A sanha do teu cabelo, embaralha nossos beijos
Há tanto aprisionados em tua boca e em minh'alma
Quero estar contigo, na mesma lavoura santa
Fazer um filho bem lindo: Florbela, Clara Lua?

IV
As maçãs são todas iguais, mas não aquelas que dividimos
Com quem amamos, alheios dos corpos, alinhados pelo espírito
Se a verdade liberta, a ignorância condena, o que calha
Eu que antes nunca só, esses sim, seriam dias infiéis...

V
Quero tocar-te como a abelha e servir-te como o gafanhoto
De alimento, o morrer simples do poeta, e te confiar o mel
Viajar no mundo das juízas, porque toleras Platão
Vou agora trucidar a ideia tua e te mostrar a verdade nua

VI
Pois, meu amor não tem dúbias correntes é poesia casta
Trovai à cicuta e não desdiz o pecado ateu
Porque encontrar-se no tempo com o seu amor eterno
Foi da poesia a sua maior virtude!

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