terça-feira, 28 de abril de 2009

Feliz páscoa amor meu

Porque pensas maltratar meu coração com teu desprezo
E esperas de mim as respostas quão vento já não te leva mais
Sou eu culpado das tuas amarguras agora
Pela franca rebeldia dos teus falsos amigos
Que de ti querem apenas livrar-se dos Percalços
Que a vida lhes havia reservado e que facilmente sobre ti recaem?

Ah! Criancinha de sangue envenenado...
És esperança, nascimento e formosura
A aurora da minha mais linda desventura
Porque que me foi dado expulsar
Do teu sangue tudo que lhe é exótico e áspero:
Eu determino!

Andais aí cercada pelos mais sinceros laços
De amor fraterno que conquistas...
Um a um entregando-se completamente aos olhares.
Afasta-te, querido satanás! Que tomo trago sozinho rapaz...

Vem, seduz e me conquista, mulher pura, e toma luz!
Neste palco da vida que pelego sejais também artista
Como o carvalho levando sopro de todo lado e pancadas de ventania
Entorta, enverga e nasce torto e assim morre
E não paga uma conta a quem não deve!

Rasga a mortalha da morte e lhe cospe à cara!
Que a vida lhe mandou um recado bem cedo:
Eu vi a cara da grande prostituta e ela estava morta.
E eu, como sempre, poeta das dores alheias que as minhas são dóceis,
Finjo não se tratar de choro...
Porque está meu amor à mostrar uma cara para tantos
E para si uma não própria
Sabendo que ali bem ao alcance de suas mãos está o infinito?

Eu determino, pelo sangue de tudo que for mais sagrado:

Não se rasga a mesma pura seda duas vezes,
Diante do teu Deus, nem do diabo,
Nem se veste o linho mais nobre
Em dias de festa, ou de jejum

Um raro poeta triste

Pedro Torres
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