terça-feira, 28 de abril de 2009

Desistir de ser poeta...

Estudar astrofísica, computação e matemática
Dedicar-se às ciências exatas e decorar constelações
Abdicar da prosa, dos versos, e contar as sílabas do repente
Expulsar todo e qualquer sentimento, e viver como um reles cata-vento

Adquirir um relógio, uma régua e um compasso
De movimentos repetitivos e finalidade pífia...
Sacar uma calculadora científica e contabilizar o tempo
Seguir das regras cada passo e defendê-las sem questionamentos

Esquecer da ideia a existência e comprar uma ideologia barata
No shopping da esquina, por questões meramente econômicas...
Apertar o gatilho da última bomba atômica
E quem sabe fazer desaparecer desse mundo uma moda...

Estabelecer conceitos para todo o conhecimento produzido
Construir um pensamento só e não tomar mais nem um trago
De minuta, viver soberbamente sóbrio e seguir uma vida curta
Aventuras? Proibidas! E, paixões verdadeiras, absurdo!

Não entregar o coração a outro e não alimentar coração bandido
Observar o céu com olhos alheios, e te detestar, poeta!
Ver a Terra como um mero esteio, de não versos. E, raciocinar, teus seios...
Plantar sementes de frutos bem azedos e colhê-los enquanto ainda verdes

Porque revelar segredos para quem não conhece a poesia,
Quando a rima já não compreende os meus versos?
Quanto ela, não quiser vir  mais aninhar-se no meu canto...

Ser poeta é ter verso todo dia
E viver inspirado eternamente...

Pedro Torres
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